sexta-feira, 28 de agosto de 2015

MIKIO, 132; BH, 030302013.

Domingo e está todo mundo na sala,
Na frente da TV; estou aqui neste
Quintal, perante o universo, a
Escrever; não perco meu domingo
Por nada nesta vida, na frente
Da televisão; procuro um universo
Alternativo, um lazer paralelo, a
Alegrar meu coração; não empobreço
Meu domingo de jeito nenhum e até
O futebol, sim, que tanto encantava-me,
Mandei para as cucuias; pois, depois
De perceber, que, mesmo na frente
Da TV, estava a fazer parte dos
Bandos estúpidos das torcidas ditas
Organizadas, desliguei de vez a TV; e
Sinto-me mais feliz, escrevo poemas,
Descubro poesias no lixo do terreiro,
Nos ciscos, nos gravetos, nos muros e
Seus habitantes; passei a observar mais
A natureza, os besouros, os mosquitos,
As moscas e as abelhas; percebo as aranhas,
Os piolhos de cobra, as lagartixas e taruiras;
E os passarinhos, os sabiás, os bem-te-vis,
Pardais e rolinhas; e as garças da Lagoa da
Pampulha, os marrecos; e os gansos e patos
Do Parque da Laga do Nado; e descobri
Um outro mundo que a televisão cegava-me
E sinto-me livre, sinto a liberdade e sem a
Consciência pesada; o domingo agora é
Todo meu, as ruas, as calçadas das ruas e
Até os bairros; parece que é tudo meu e a
Cidade também, quê alegria maior do que
Esta? estas letras, estas palavras, estas
Linhas de autonomia dominical.

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