terça-feira, 4 de agosto de 2015

MIKIO, 168; BH, 0210502013.

Ai, se alguém sentisse saudades
Minhas, sentisse minha falta e
Quisesse estar junto comigo; e
Colhi o que plantei, não conservei,
Não amei, não fiz por onde e
Não posso querer que alguém
Chore por minha causa; fiz muita
Gente chorar, mas foi por causa
Dos meus maiores defeitos, pois,
Nunca tive um pequeno defeito,
Todos os meus defeitos são os
Maiorais; ai, se alguém lembrasse
De mim, ou recordasse, ou
Memorizasse algum momento
Que passou comigo; os bêbados
São esquecidos, não têm memória,
Sofrem de amnésia, não têm
Nostalgia; os ébrios não têm
Consciência, fazem as coisas com
Imprudência e são amantes da
Embriaguez; não posso esperar
Nada dos meus semelhantes
Bêbados e como nunca tive um
Semelhante sóbrio, não posso
Querer que alguém sinta saudades
Minhas; que falta de lógica e de
Raciocínio lúcido, que aberração é
Querer ser motivos de saudades
E que bizarro querer ser lembrado,
Recordado, memorizado; e que
Prazer mais mórbido, prática de
Ser bisonho mesmo: te apruma no
Prumo, ninguém usa mais disso não, 
Ainda mais caquético, insuportável
E quem se lembrará de ti, infeliz?

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