segunda-feira, 3 de agosto de 2015

MIKIO, 176; BH, 01º0602013.

As folhas continuam brancas, as linhas
Vazias, aonde andam as letras? e as
Palavras? em qual universo as palavras
Esconderam-se? o que me oprime, é
Que, em plena era da comunicação,
Pleno estado de modernidade, as letras
São trocadas de lugar, as palavras são
Invertidas e a sociedade é composta
De mudos; qual o tufão que levou a
Opinião? ou por aqui passou um
Furacão? em época de "mídia evoluída",
A verdade é distorcida, a mentira
Ganha destaque e o que nos move
É a enganação, a falsidade; e além
De nos mover, quer nos envolver
Em conflitos, intrigas, injúrias e
Difamações; há séculos estou aqui,
Esta folha está vazia, envelheceram-se
Os meus pensamentos, tornei-me
Arcaico e antiquado; e as letras
Que restaram, estão fora de moda,
As palavras sobreviventes, mais
Mortas do que vivas; velho, conta
Para mim o que aconteceu, se os
Espíritos dos teus ancestrais se
Rebelarem, se amotinarem as
Letras e confiscarem as palavras,
A civilização se exterminará; filho,
E foi o que fizeram, castraram as
Letras, mutilaram os clítoris das
Palavras, a escrita não pode mais
Gozar; fizeram isso em rebelião, em
Revolta ao desprezo recebido,
Quando sofrem tanto, ao nos
Mandar uma inspiração.

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