terça-feira, 11 de agosto de 2015

MIKIO, 158; BH, 0170502013.

Quero um poema para mim,
Porém, desisto facilmente, não sou
Um bom caçador; quero uma
Poesia para mim, mas, logo em
Seguida, mudei de ideia, não
Sou um bom conquistador; e a
Poesia, como a mulher, gosta de
Ser conquistada; e nas sobras
Que, encontro hoje em mim, não
Conquisto poesia, não conquisto
Mulher; e vou ao sebo atrás dos velhos
Livros, os antigos alfarrábios, a
Matar a saudade dos clássicos
Poemas e das líricas poesias; e vou
Ao bar e como sou um
Mau bebedor, um fraco para o álcool,
Quando dou-me por mim, estou
Nos braços sujos duma puta e
Na embriaguez, noto os seus traços
Mal acabados, seus dentes estragados,
Seu corpo maltratado; pago a
Mixaria envergonhado, saio
A cambalear, a tropeçar, quase
Caio na calçada, ofuscado pela
Réstia da luz do sol; como posso
Querer um poema, algo tão elevado?
Como posso querer uma poesia,
Algo de alma tão lírica? como
Posso almejar uma mulher só
Para mim? e juro que não serei
Nunca mais este bêbado desempregado,
Desqualificado, a envergonhar as putas 
Nas zonas; mas, juro só enquanto estou 
Bêbado, é só ficar sóbrio, que corro para lá.

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