sexta-feira, 28 de agosto de 2015

MIKIO, 133; BH, 0310302013.

Minha vida é quebrar a cara e
Pensar errado e não acreditar, não
Ter fé; há horas que ajo como um
Verdadeiro herege, autêntico ateu
E quebro a cara, ajo errado, vivo
Torto e quebro a cara; pensei que
"As Patagônias" iriam estourar e quebrei
A cara; pensei que "Os Noturnos" iriam
Despertas as pessoas e quebrei a cara;
E pensei que "Os Nova-limenses" iriam
Transformar-se em ouro, como o
Ouro da Mina de Morro Velho, que os
Ingleses roubaram e quebrei a cara;
E os ingleses não quebraram a cara,
Tiraram todo o nosso ouro, deixaram
Uma série de mineiros doentes, além
De nos exilar, em nossa própria terra;
Mas, o colonizador nunca quebra a cara
E quem quebra a cara é o colonizado,
Como quebrei a minha, durante toda a
Vida; se ainda pensasse certo, andasse
Direito, saísse das sombras, procurasse
A luz, deixasse a penumbra, valeria
A pena quebrar a cara todo dia; quebrou
A cara, mas, tentou acertar, quebrou a
Cara, mas, competiu, teve fé, acreditou,
Quebrou a cara, mas, andou direito,
Procurou fazer a coisa certa, enxergar,
Experimentar, ter curiosidade, ousar,
Ter audácia, ousadia, coragem e
Enterrar a covardia, mesmo viva;
Quebrou a cara, mas, é ser, é gente,
O triste é quebrar a cara, sem enfrentar
O destino, abrir um caminho, dobrar
Uma esquina aleatoriamente, sem
Conhecer o que vem à frente.

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