domingo, 23 de agosto de 2015

MIKIO, 143; BH, 0250402013.

O ser mais morto que vi na minha
Vida, foi quando olhei no espelho
E nunca havia olhado num espelho,
Como olhei nesse dia, olhei com
Agonia, com ansiedade de morto,
Com cansaço de corpo, que tem
Que ser carregado ladeira acima;
E olhei no espelho de noite
E do lado de dentro, vi uma
Assombração, um sobrenatural
Oculto, que, normalmente, não
É visto por quem é vivo, só
Por quem é morto; e o ser mais
Morto que vi na minha morte,
Foi quando olhei no velho
Espelho do meu quarto, era
Noite sem luar e a luz do quarto
Não estava acesa; senti medo
De mim, fantasma sentir
Medo de alma penada; cadáver
Em pânico? não, são as revoluções
Dos vermes no banquete das carnes;
Réquiem? não, são os vermes
A furarem os ossos do esqueleto;
Não sabes fazer nada? alguém
Perguntou-me detrás da porta;
E para que saber nesta altura
Dos acontecimentos? desculpei-me,
Como sempre, por minhas inaptidões;
E essa caneta de tinta de sangue?
Não é caneta, é um pedaço de
Osso; e essa folha de papel? não
É folha de papel, é um pedaço de
Pele fresca, narrarei meu testamento.

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