terça-feira, 11 de agosto de 2015

MIKIO, 160; BH, 0190502013.

Quero os meus ossos todos de volta, não
Importa o que foi feito dos meus ossos,
Não interessa o que foi constrido em
Cima dos meus ossos; quero-os todos
De volta, agora, já e com as carnes nos
Lugares, os nervos, as veias e as peles;
Ah, construímos uma igreja em cima dos
Teus ossos e um castelo medieval, um
Mosteiro feudal; não autorizei usar os
Meus ossos para nada; quero a minha
Caveira de volta, vou guardá-la num
Armário, meu esqueleto completo,
Não mandei acorrentá-lo em nenhuma
Caverna; aprisionado em ossuário, de
Jeito nenhum, ficará como decoração
Em minha sala de espera; ah, mas, teus
Ossos agora são tão sagrados, viraram
Alicerces de catedrais, púlpitos para
Altares; não, nunca, quero-os para
Patuás, amuletos que fecham corpos;
Mas, isso é profano, é de pagão; mas,
Meu esqueleto é profano, minha
Caveira é leiga, pagã, meus ossos são
Seculares; ah, é impossível o que
Queres, estão muito ressequidos, a
Caveira encardida, o esqueleto sujo,
Não dá para arrastá-lo do fundo até
Aqui em cima; não mandei ninguém
Fazer isso com os meus ossos e
Quero-os inteiros, com medulas e
Tutanos, cartilagens e meniscos; não
Há mais nada disso, cartilagens,
Meniscos para os joelhos e no lugar
Dos tutanos areia e terra e nas
Medulas fuligens e nas juntas pedras
E seixos; é isto, é o meu esqueleto
Fossilizado, devolva-o assim mesmo.

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