terça-feira, 18 de agosto de 2015

MIKIO, 144; BH, 030502013.

Ezra Pound escrevia os poemas num estilo,
e. e. cummings em outro, Tristan Tzara,
Também; e cada um procurou e encontrou
Uma maneira de fazer uma obra-prima; e
Walt Whitman, que tanto encantou Fernando
Pessoa, que tanto encantou-me, tanto 
Quanto Vladimir Maiakovski; e o estilo é 
Assim um encantamento sem fim, a poesia
Uma fada encantada que todos queremos 
Conquistar e o tema uma varinha de condão;
E o sonho dum pseudo poeta, é tornar-se
Um poeta, ser dono dum estilo e admirar
A própria obra-prima e se satisfazer com a
Própria obra de arte; mas, enquanto a 
Natureza zombar de mim, este firmamento
Tão distante, a isolar-me do infinito, a poesia
Saltitará à minha frente e não a alcançarei; 
De tanto querer chamar a atenção das 
Galáxias e entrar num buraco negro e sair
Ileso do outro lado em forma de energia, luz,
Força interplanetária, atração fatal intergalática,
Tanto mais sou ignorado pelo universo; e as 
Estrelas dão de ombros e os sóis escarnecem-me
E entendo este caos, quando interpela-me: tu, 
Um poeta? deixo de ser caos, passo a ser um caô; tu, 
Poeta? desde quando? pequeno pseudo ser? e a 
Humanidade sempre aí a esperar, desde e até quando?

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