quinta-feira, 14 de abril de 2016

E o poeta precisa disso e da orgia; BH, 0140402015.

E o poeta precisa disso e da orgia
E das bacanais, das putas e das suas putarias;
Precisa de dor de dente arrancado pela
Raiz, sem anestesia; de parto dolorido,
Com o risco de morrerem a mãe, o pai,
O filho; senão não vai parir porra nenhuma,
Não será uma puta que pariu e o poeta 
Não precisa de risos, de gargalhadas de
Felicidade, a não ser quando estiver ao
Lado de pipas de vinhos, pernas de 
Coristas, meretrizes, raparigas, coxas 
Gordurosas de cordeiros assadas e 
Tesão, muito tesão para devastar 
Virgens corações; e depois tédio,
Depressão e tudo que o leve para 
Debaixo dos subterrâneos, para o 
Submundo, para o lado selvagem da
Vida, o lado do inimigo; e por dentro,
A destilar nas veias, a intranquilizar o 
Âmago, temporal, vendaval, procela
E tudo mais que cause desespero, 
Ânsia, ansiedade; e ao falar alguma
Coisa, falar sempre como se estivesse
Engasgado, a morrer sufocado, por 
Um pedaço de nervo de carne crua
Atravessado na garganta, ou como 
Se fosse um cachorro louco, possuído de
Hidrofobia; e fingir, fingir desesperadamente,
Mentir às últimas consequências e 
Maravilhado, o mundo iria dizer: que 
Sujeito maravilhosos, é um colosso,
Uma das maravilhas do universo; e não
Pode ser um pacato cidadão, um pai de 
Família, um obediente civil, cumpridor
Das leis, dos seus deveres e das suas
Obrigações, um exemplo raro para 
Referências dos demais concidadãos;
E na surdina maquina, trama intrigas,
Faz conflito, corrompe, recebe títulos,
É homenageado por confrarias de 
Amigos, laureado e até intitulado 
Doutor honoris causa das universidades
Da vida; e o poeta precisa disso, dessas
Falsas reminiscências, para poder 
Sustentar-se, ter peso, volume, consistência,
Aparência de alguma coisa nobre, 
Mesmo que não saiba o que.

Nenhum comentário:

Postar um comentário