quarta-feira, 13 de abril de 2016

Um dia um anjo que caiu do céu por Deus; BH, 020502015.

Um dia um anjo que caiu do céu por Deus
Ter dado um pontapé na bunda dele, disse-me:
Ô caipira caapora, cheio de catapora, larga de ser
Besta, sô, pega uma folha de papel e uma caneta
E vai escrever uma obra-prima, uma obra de 
Arte, uma bela arte; não sou artista, não sou
Pintor, não sou escritor, não sei como fazer;
Fica aí, a assistir as imundícies das televisões,
Bexiguento, a ler as mentiras do PIG, o 
Partido da Imprensa Golpista, sarampento, com
O universo que disponibilizou tanta coisa 
Infinita para ser cantada em verso, ser 
Imortalizada de alguma maneira e perdes 
Teu tempo à toa; se eu soubesse, faria algo,
Uma escritura de estrebaria, uma lavra de 
Taberna, com letras cravadas a ferro em brasa
Na madeira, com palavras de rancho, mas, 
Qual, não faço nem de criança, garranchos; 
Fiz muitas estripulias no céu, Deus deu-me
Um pontapé certeiro, no meu traseiro, caí de
Ponta cabeça, em cima do teu travesseiro,
Para ser teu pesadelo e enquanto não 
Honrares a antologia, com uma poesia de 
Filosofia, não terás na terra alegria; anjo
Excomungado, nunca comunguei, também
Sou amaldiçoado, maldito, renegado e só
Sei fazer Deus ficar desesperado; e ainda 
Sou pagão e não fui batizado e Deus não 
Terá pena, deste animal alienado, que bebe
Todas e come tudo, até ficar empanzinado;
Ô cheio de quebranto, espinhela caída, 
Caxumba, cobreiro e mau olhado, sarna,
Tiririca e ziquizira e carrapato, muquirana,
Inhaca de cadeia, sangue pisado, então, 
Preferes continuar a vegetar? sai de debaixo
Dessa lama, tira o lodo, o limo, a ferrugem,
Cura essa ressaca e a má digestão; e quando te
Sentires leve, plaina nas asas da inspiração, que o 
Universo é como um bom ladrão e ainda hoje, 
Quererá, estar contigo no paraíso da imaginação. 

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