sábado, 2 de abril de 2016

Esfrega a minha cara com essa lasca de pedra; BH, 0270802015.

0Esfrega a minha cara com essa lasca de pedra
Lascada, para clareá-la e areia a pele do meu
Corpo com essa areia monazítica, para 
Energizá-lo; preciso de brilho e de combustão,
Comestível e combustível, ou não ressuscitarei
Das cinzas vulcânicas e nem libertarei os 
Gigantes aprisionados nas lavas depois que 
Esfriam; rala minhas nádegas nesse lajedo,
Donde há tempos a água parou de correr; 
Qualquer dor por menor que seja, faz um 
Cadáver existir, ou qualquer defunto parecer
Um vivo; descarna tira por tira das minhas
Carnes e fibra por fibra dos meus músculos
E deixa meu esqueleto nu e tira o sorriso  
Eterno da minha caveira; não mereço rir,
Sorrir, gargalhar, nem mesmo quando estiver
Vivo; e no final, deixa a minha ossada sob 
A luz do luar, à beira-mar, para a água do 
Mar poder banhá-lo e para quem olhá-lo
De longe, numa ilusão de ótica, exclamar: lá
Estar um esqueleto a nadar; por isso, jogue-me
De joelhos ao chão, fira-me as rótulas e os 
Tornozelos, corte-me os calcanhares com 
Cacos de vidro e raspe-me as solas dos pés,
Quero andar sem as solas nos braseiros dos
Desertos, lamber com a língua brasas vivas
De zimbro e ferir meus lábios com setas
Agudas do valente e não pararei de mentir,
De fingir, ou de propagar a verdade enganadora e na 
Minha angústia, as rochas não ouvirão o meu clamor. 

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