sexta-feira, 8 de abril de 2016

Só quero um punhado de letras; BH, 010702015.

Só quero um penhado de letras, 
Não precisa ser muitas e farei infinitas
Palavras; e contarei histórias de fenícios, de 
Gregos e de povos antigos, dos quais não
Falam-se mais; e os que até falavam em 
Aramaico e em outras línguas sagradas, de
Anjos e de demônios e de santos que foram 
Queimados em fogueiras, ou jogados nus nos
Abismos, como bruxos; e das mulheres 
Despedaçadas nas rochas do fundo dos 
Precipícios, em sacrifícios aos deuses mudos;
Sou um mendigo de letras, não imploro por
Ouro, incenso e mirra, não peço dinheiro,
Pão, vinho; sou um andrajoso, coberto de 
Chagas e não peço trajes, não peço 
Cicatrizações das minhas feridas, apenas
Algumas letras tortas para escrever certo,
Velhas, pobres, enferrujadas, cobertas de 
Limo pelo tempo impiedoso; e contarei 
Causos de esqueletos, caveiras, ossadas,
Cavernas que vieram dos confins do 
Universo, com as primeiras montanhas 
Voadoras, que pousaram nos aeroportos
Naturais das pradarias e jazem incólumes
Nos subterrâneos da cordilheiras; e 
Faltam-me letras para desvendar essas
Grandezas, para dar luz como um deus, ou
Como um pseudo poeta, a essas escuridões 
Abissais; e faltam-me letras, minguadas 
Letras, parcos caracteres e também 
Construirei mundos, separarei terra e água,
Noite e dia e farei homens de palavras,
Cujos narizes não precisarão ser soprados, como 
Foi feito com os homens de barro, sem palavras.

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