quarta-feira, 6 de abril de 2016

Nunca serei dono de um poema; BH, 060902015.

Nunca serei dono de um poema
Que tenha vida própria; nunca serei 
Dono de uma poesia que tenha vida
Própria; eu próprio não tenho vida
Própria, tenho uma vida alheia 
Que, foi soprada nas minhas narinas;
Por isso, qualquer obra da qual tento 
Ser dono, não será de carne e osso
E às vezes, se por acaso, tiver carne
E osso, de uma terá mais carne do 
Que osso e da outra, terá mais 
Osso do que carne e de outra ainda,
Mais nervos e cartilagens; e buscarei
Uma composição que lateja, que 
Pulsa e terei que ir a um pulsar,
Se preciso for e arrastar tudo, até 
Aqui, para ter um quasar, um quanta
Nesta mísera folha de papel; papel
De pele curtida, não é de papiro e nem 
É de pergaminho, é papel de pele 
Desidratada e ganhará vida própria, 
Ou também terei que soprar nas 
Narinas dele? ganhará luz própria,
Ou terei que acender um candeeiro? 
Um toco de vela? um braseiro na 
Terra do terreiro? terei que acender 
Um lampião? ou fincar uma estaca 
No meu coração? numa pira, cujo
Combustível seja o meu sangue;
Numa luz mais límpida, o arterial,
Numa luz mais tenebrosa, o venoso;
E a vida escolherá, qual o símbolo usar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário