quinta-feira, 7 de abril de 2016

O teu cheiro desobstruiu-me até as artérias; BH, 0901102014.

O teu cheiro desobstruiu-me até as artérias,
O teu suor temperou as minhas insossas carnes,
A tua seiva matou a sede do meu coração
E o teu amor a fome da minha fome; 
Mulher, fizeste-me homem e homem te fiz mulher,
Cantei bêbado a madrugada inteira, como 
Se o amor não fosse feito para pessoas lúcidas,
Seres sóbrios, almas refrigeradas; e meus 
Canais ferveram, meus vulcões entraram em
Erupções, lavas de prata às margens serenas de 
Serenos regatos e tranquilos riachos e 
Paz de profundos ribeirões; veredas, vertentes,
Nascentes, mananciais nasceram dos nossos
Ais; jurei com lágrimas que não queria mais 
Amar a ninguém e ressuscita em meu 
Peito o sentimento que havia escondido
Demais e o fogo da paixão tornou-se aceso, a 
Incendiar o meu tição e sentir arder em brasas
Vivas de zimbro o meu torrão; e vi a 
Verdade suprema a sair de lábios que 
Eram mentirosos e de língua enganadora; 
E o velho Corvo de Poe, que pousado em 
Meu ombro, vergava minhas costas, 
Voou para as distantes encostas, a grasnar 
Imprecações em outras direções; ergui a 
Minha cruz à frente de mim e livrei-me das 
Maldições e hoje, mulher, longe das pessoas
Nefastas, outro homem, numa única noite, a 
Exaltar-te em altares, a erguer colunas eternas
Com o teu nome e meu sangue flui arterial
Nas veias do organismo universal.

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