sábado, 2 de abril de 2016

Bati com a cabeça na pedra: tum tum tum; BH, 080102015.

Bati com a cabeça na pedra: tum tum tum
E da pedra sangrou sangue, da cabeça sangrou 
Água; da fenda da pedra fendida, a ferida 
Não cicatrizou-se e da fratura da cabeça 
Da idade da pedra lascada, o crânio
Ostentava o sorriso eterno de Luzia,
Que luzia na escuridão das trevas, em 
Que lateja a humanidade, que não 
Vive; e o dente de duzentos milhões de
Anos, roeu o tendão da raça humana
Morta, do ser humano fossilizado na 
Antiga sala de jantar, na caverna 
Que é a sala de estar, no quarto,
Na cozinha, na retrete que são velhas 
Crateras de perdidos meteoritos desgarrados  
Dos tempos idos; e não mais se falou no 
Ser humano como o centro do universo e 
Não mais se falou o homem como se fosse 
Um deus; falou como se fosse um animal
Que perdeu todos os instintos, sentidos,
Sentimentos, emoções; atirei a última gota
D'água no mar e o mar transbordou-se,
Derramou toda a água e secou-se; chorei
Gotas de sal que ardiam-me os olhos embrasados,
O vampiro não doou sangue para mim e 
Continuei anêmico a pele enegrecida e 
Rasgada pelo vento, a expor os farrapos em
Que transformou-se o que se pensava ser
De linhagem nobre; era um antepassado
Rei sábio, vestia-se com vestes de lírios,
Cobria-se com pedras preciosas, defumava-se 
Com incensos, perfumava-se com mirra,
E o esqueleto esquecido no meio das 
Ossadas, era só mais uma ossada; e a 
Ossada perdida no meio dos esqueletos,
Era só mais um esqueleto; e quando foi
Erguido o tempo, onde abrigou-se a 
Igreja de caveiras, um terremoto pôs abaixo
E transformou num depósito de amontoados, 
Num lixão de sanitário de subúrbio.

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