sexta-feira, 1 de abril de 2016

Os fantasmas querem sair do limbo; BH, 020802015.

Os fantasmas querem sair do limbo,
Os ectoplasmas materializarem-se, os espíritos
Reencarnarem-se e os mortos voltarem à 
Vida; as almas estão insatisfeitas, impacientes,
Querem os seres, habitar os corpos; as entidades,
Os entes revoltaram-se, juntaram-se aos santos
E santas e aos caboclos e revolucionam-se para
Descer nas cabeças dos cavalos; e fazerem
Arruaças nas encruzilhadas, pândegas nas 
Esquinas, brigas nas ruas e becos de fundos
E ruelas do submundo; garrafadas, navalhadas,
Socos e porradas, chutes e cabeçadas, cotoveladas
Violentas com afundamentos, pernadas, joelhadas
E pisadas com calcanhares calejados; os deuses 
Querem festas, bacanais, banquetes, larga comida
E farta bebida; os deuses querem desocupar os
Montes e ocupar a terra, têm inveja dos mortais,
Têm despeitas, soberbas, arrogâncias, tudo que 
Um mortal cultiva, os deuses querem cultivar;
E os anjos caídos, de asas quebradas, bundas
Modeladas, querem voltar a voar, os anjos 
Negros pedem luz e os brancos escuridão; 
Não há mais uma nova ordem universal, 
Não há mais uma salvação redentora, por 
Mais que pulsem os pulsos num latejar
De vida, é a morte que nos aguarda 
Na viagem final; e do derradeiro ato da 
Comédia não se escapa e do último 
Lampejo do lampião, a ínfima brisa 
Apaga a chama, um tênue vento espalha
As cinzas, uma tenra gota mata por 
Afogamento; e nada se nota em nenhuma
Parte, como um terreno ermo, um 
Terreiro desabitado, os moradores 
Acorrentados das antigas cavernas,
Agora jazem libertados.   

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