domingo, 20 de agosto de 2017

A necessidade de escrever é diarista; BH, 070402001; Publicado: BH, 0501202013.

A necessidade de escrever é diarista,
Só que não ganho, como o trabalhador,
Que ganha por dia de trabalho; e o 
Livro que quero, não é o livro comercial,
De uso obrigatório, para registro, em ordem
Cronológica, de todas as transações duma empresa,
O livro que pretendo não é esse; não
É igual ao jornal que se pulica todos os dias
E nem relação do que se faz, ou sucede
Cada dia, como um diário que se faz,
Ou sucede todos os dias, a anotar o cotidiano;
É uma necessidade maior do que tudo isso,
Não tem receita, ou despesa diária e nem 
O salário pago por dia de trabalho, tal o 
Preço cobrado por dia nos hotéis e os demais
Estabelecimentos congêneres; é uma necessidade
Que a própria razão não explica, que não
Aparece no dispositivo e nem na fotografia 
Positiva, em vidro, ou filme montado em
Pequeno caixilho, de papelão, alumínio, ou
Outro material para projeção fixa; e neste
Estado comparativo, neste tom, neste nível
De pequeno instrumento que dá um tom
Determinado e serve para afinação dos
Instrumentos musicais; e nesta extensão
De escala de voz, neste diapasão, só
Acontece porque sou espírito, sou alma,
Sou assombração; sou fantasma, ectoplasma,
Silhueta, sombra e penumbra; sou vulto,
Éter, sou ar, pó e poeira, molécula e átomo;
A diferença é que sou materializado,
O dianteiro, o que está e vai adiante,
Em primeiro lugar, na frente da vida,
Do tempo, ou da morte, o ponto mais do
Que avançado, a vanguarda dianteira,
A esteira de constelação de estrelas; o
Diante do cardume dos peixes, o na
Parte anteiro, na ponta do caule, na
Parte onde o diandro, a flor que tem
Dois estames, balança ao sabor da brisa. 

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