segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Há tanta gente no mundo a fazer coisa legal; BH, 040602017.

Há tanta gente no mundo a fazer coisa legal,
Imagina, então, no universo, como deve estar
A pulular de seres a quebrar foça de gravidade
Sem instrumentos, a criar horizontes, a causar
A felicidade sem olhar a cara de quem; há 
Tanta gente a gostar, a gozar, a viver que, 
Chega-se nem pensar em outra coisa e não 
Querer fazer mais nada, não querer fazer o
Mal, que o bem nem é necessário; e há tanta
Gente na fauna, na flora, a perder tempo, que,
O tempo fica até com vergonha de passar 
Diante dessa gente e quando passa, passa de 
Costas e a gente se sente imperceptível, 
Anônimo, incólume, invisível, que, não faz 
Nem falta quando deixar de existir na 
Inexistência, onde pensa que existe; e se faz
De surda e não escuta os uivos dos ventos,
Cega, não enxerga a linha do horizonte, 
Muda, não canta um canto de passarinho;
E depois reclama que é infeliz, que é doente,
Desgraçado, miserável, reles mortal a querer
A mortalidade; e não pode contra si mesma
E quer ir de contra toda a própria natureza;
E desprezada pela morte, um Caim sem sorte,
Sem azar, marcada de sinal, a comer poeira
Pelas beiras dos caminhos, abominável gente
Do pó, do barro de barrela, da lama de 
Sangue venoso, do lodo do pântano de 
Lágrimas de fogo fátuo cadavérico. 

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