segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Sou uma cria e um animal que está em período de criação; BH, 02401102000; Publicado: BH, 01001202013.


Sou uma cria e um animal que está em período de criação,
Uma pessoa pobre e vivo, criado, às expensas de outrem;
Sou um discípulo, um seguidor cretinoide e tenho certas
Características de cretino, sofro de cretinismo, sou imbecil e
Estúpido e só sei cretinizar-me e imbecilizar-me a cada vez
Mais; não impeço a minha cretinização, na forma da debilidade
Mental causada pela ausência e deficiência de função da
Glândula tireoide; não supero a minha burrice e a imbecilidade
Do meu ser é notada à flor da pele; a minha cretinice é pública
E notória, é rija igual ao cretone, o tecido forte e encorpado
De linho, ou algodão, próprio para roupas de cama e cortinas;
Vem de longe, além de Creta, da ilha do Mediterrâneo, onde
Vive o cretense; e quando for crestar a minha raiz, não será
Para queimar ligeiramente, é para secar, ou pela ação do
Fogo, ou pela ação do Sol; quero tostar a semente e tirar o
Mel das colmeias, colher parte das favas, jogar fora o que
Não prestar; na minha cresta, deixarei de ser assim tão
Rude, arrogante e agitado igual ao mar; e até o cabelo
Que é muito anelado e com superfície de aspecto rugoso
E áspero; sou assim todo crespo por fora e por dentro e o
Ser que habita em mim, é só para encrespar-se, crespar-se
E barrar o meu crescimento, impedir-me de crescer, de
Avançar para agredir a velhice, desenvolver-me para enfrentar
A senilidade; aumentar em intensidade de duração, em
Estatura, volume e número; ser o quarto de uma das fases da
Lua; o símbolo da bandeira turca e da religião muçulmana, ter
A forma da meia lua aparente entre o novilúnio e o plenilúnio;
Minha fase crescente não pode ser barrada, cresce em mim a
Progressão, igual o aumento progressivo da sonoridade na
Música; sinto que estou a crescer e isso me faz feliz; e a
Crescença do meu eu sofre um acréscimo positivo; crer agora
Que mudei? pode ter-me como certo e verdadeiro agora?
Pode julgar-me apto a acreditar e a fiar que hoje opera uma
Nova mudança, um novo crepúsculo, uma nova luminosidade;
Às vezes é até indecisa, quando precede o nascer do Sol,
Persiste algum tempo, depois do ocaso e vem a decadência
Gradual a dar enfim lugar à luz firme e forte do Sol; sou assim
Também, meio crepuscular, passo adquirir aspecto desse tom
E aquele crepe grosso não é mais percebido e o papel
Enrugado é utilizado na feitura de flores artificiais; o crepom
Restante ainda pode ser aproveitado, não sou de um todo
Jogado fora, lançado na fogueira para produzir sons
Semelhantes ao da lenha no fogo; só parte podre, é que
Passa a crepitar, em pequenos estalos acompanhados de
Fagulhas; só o restante não aproveitável é que fica
Crepitante; é o que crepita na fornalha, é o que causa a
Crepitação a gerar a fumaça; e para essa parte não precisa
De faixa e nem de fita preta que se usa em sinal de luto; o
Tecido fino, levemente enrugado, de seda, ou lã, cubrais-me
A cabeça com ele, lavais-me com o cresoto, com a substância
Cáustica extraída do alcatrão, lavais-me com a creolina, que é
A denominação comercial de um líquido antisséptico e livreis-me
Dos vermes e dos germes da minha creofagia, da ação e o
Hábito de se alimentarem de minhas carnes; sou crente que
Mudei, posso crê, com fé religiosa, que agora, levo as coisas a
Sério; só não tenho crendice, não suporto crença absurda e
Ridícula, quero ter o ato e o efeito de crer, ter o conjunto das
Minhas convicções, fé no entalhe, tal a crema, o espaço certo
Entre os dentes de uma roda, ou peça denteada e a cura pelo
Cristel, ou acabo por virar um creme feito de substância gordurosa
E amarela igual á do leite, da qual se extrai a manteiga e a nata.
Vivo líquido muito espesso; pasta rala, comida, doce, ou salgada, Com essa consistência, de cor branco-amarelada, semelhante ao pus,
Depois seca tudo vira farinha, de fubá, trigo, farelo, vira pó, a cinza,
Se passar pelo crematório, a cremação, o forno de alta temperatura,
Próprio para reduzir em poucos minutos um cadáver em cinzas.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário