domingo, 20 de agosto de 2017

Gustave Flaubert; BH, 060402001; Publicado: BH, 0201202013.


Não, não escrevo igual e nem a metade
Do que escreve Gustave Flaubert;
Não cresci entre todas as misérias humanas,
Não fui tomado de entusiasmo e encantamento,
Pela poesia, pelas reconstituições históricas,
Romances; e nem jamais apaixonei-me
Por mulher alguma, muito menos por
Uma casada e de nome Elisa e de 15
Anos mais velha do que eu; Flaubert
Não, não estou à altura de Gustave,
Não sou um fenômeno universal
E nem uma celebridade da humanidade;
Ele ainda teve o digitalismo e a 
Ação produzida pela digital e por 
Seus princípios, teve a digitalina,
A substância orgânica glicosida,
Extraída da Digitalis Purpurea, usada
Como medicamento; e teve o uso
Da planta medicinal da família
Das escrofulariáceas; e eu, cujos dedos
Não sabem nem segurar a pena
E eu, que não hei de deixar
Nenhuma obra à altura da grandeza
Da humanidade e que não sirvo
Nem de aparelho para cocção de certas
Substâncias, não sou digestivo;
E nem tenho órgão digestor e só faço
Trabalho digesto, com coleção das decisões
Do Direito Romano; e com compilação
Coordenada, ou desordenada de 
Regras, decisões, ou prescrições nobres;
Qualquer assunto, especialmente sobre 
Matéria jurídica; sou um alimento
Não digerido no estômago de um velho,
A causar-lhe dores, ânsias e prisão de ventre;
Sou uma má digestão, não a facilito
E nasci sem o aparelho, o conjunto de 
Órgãos que a faz: não e conheço a
Transformação dos alimentos em assimiláveis
Nutrientes de maturação e estudo reflexivo,
Como os que nos apresentou Gustave Flaubert.

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