quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Ai e se soubesse de cor todas as palavras bonitas dum dicionário; BH, 050802000; Publicado: BH, 020102014.

Ai e se soubesse de cor todas as palavras bonitas dum dicionário, 
Ai, se soubesse de cor, todas as palavras dum dicionário, 
Despejaria todas elas, como uma chuva torrencial, uma tempestade 
De trovão berrante; de vento berrador, de noites de relâmpagos, de 
Core muito vivas, tipo as balas cuspidas de arma de fogo, 
Particularmente, o revolver; e aquele que berra de dor, na hora de tirar
O berne, a larva da mosca que, se desenvolve na pele dos animais e 
Eventualmente do homem; dá até vontade de fazer uma bernarda, 
Uma revolta de desestruturação, um motim de menores infratores, 
Em casas de detenção e de correção; ser o bermudense, natural
Das Bermudas, onde tem o triângulo, onde tudo desaparece; e 
Que hoje calça curta que vai até acima dos joelhos, já
Não representa inocência, a bermuda de pouco pano,
Já traz dentro dela uma alma mais negra do que
As trevas, todas cheias de pequenos enfeites, onde se pendura
Pulseiras, correntes e bijuterias que, faz em as malasartes
E não as artes mágicas; e os berliques, a intrujice que,
Depois trocam por dinheiro com os intrujões e não 
Pode mais ser condenado no jogo de prendas; tem que
Ser preso, não pode mais ter notoriedade; tem folha
Corrida, não será mais motivo de gracejo e sim de 
Ser ignorado, de estar desprezado e fora do meio social;
Não anda na berlinda, antiga carruagem puxada
A cavalo, agora a carruagem é o camburão, vira
Berinjela, planta hortense e comestível; vira berimbau, na
Mão de toda gente da prisão, como o instrumento musical
Que se prende aos dentes e se faz vibrar por meio de
Uma lingueta; e se passa de pedra semipreciosa, silicato de
Alumínio e glucínio e passa de berilo, para cascalho, ao adquirir
Beribéri, moléstia provocada por avitaminose B; vira
Bagaço de bergamota, tangerina peca, mexerica azeda e
Perdeu desde recém-nascido, o berço, a cama de origem;
Não tem a pátria de nascimento, fugiu do lugar do
Berçário, recinto nas maternidades, onde ficam as crianças e
Filhos da burguesia e da elite; perdeu a chance de
Ser o beque, o jogador de defesa no futebol, o zagueiro; e a  
Parte superior da proa do barco, sofreu todo tipo de acidente
E não o bequadro que repõe no seu tom natural, a nota
Elevada, ou abaixada de um semitom, o sinal que a representa;
A substância líquida e volátil, a benzina, subproduto do petróleo,
Ninguém a quis benzer, lançar-lhe a benção, ao abençoar,
Fazer benzedura; e teve que persignar-se, curar-se sozinho e não
Por meio de rezas, a moléstia não desapareceu com o benzedor;
E se não era bento, não tinha bentinho, escapulário,
Que se pendura no pescoço, ou se cose à roupa, não era
Benquisto e nem estimado e aprendeu a não ser benigno;
Deixou de ser menino benévolo, o adolescente complacente, rapaz
Indulgente, menos brando, um mal, uma doença pouco grave;
Para se transformar no menor infrator reincidente, era um
Benjamim atraente, um filho mais moço, um caçula, membro dum
Grupo, como uma tomada dupla, ou tripla de instalações elétricas;
E passa a cheirar mal, a não ser o benjoim, a resina odorífica
E apanha de bengala, apanha de bastão que se segura com a
Mão para apoiar o corpo e não para agredir e para anda melhor
E não para torturar e toda benfeitoria, igual a obra feita em
Imóvel e que aumenta o seu valor, é em vão, o benfeitor,
Que faz o bem, que presta benefícios, o caridoso benfazejo, modifica,
Transforma-se no malfeitor; muda de benevolente, no que procura 
Fazer o bem, sai do bondoso, do benigno, da boa vontade para com
Alguém e a benevolência vira o sangue da violência;
Vira a destruição, a morte, o fim, o refém, a escória, o câncer,
O mal menor se transforma num iceberg, numa montanha
De neve, numa avalanche de detritos retidos pelo tempo.

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