domingo, 20 de agosto de 2017

Não consigo sobreviver à toda arengada; BH, 020702000; Publicado: BH, 0201202013.

Não consigo sobreviver à toda arengada,
Que a vizinhança fala de mim;
É muita arenga para a minha pouca figura,
Conversa longa demais para o meu pouco tempo;
E aquele que faz discurso em público,
A chamar-me perante a sociedade,
É o pior arengador que existe no meio;
Pior do que lavadeira e do que prostituta,
Com minhas desculpas às prostitutas e à lavadeiras;
Nada se tem para falar a meu respeito,
Pois a minha vida é um arem, um que 
Denota areia; um arenícola, deserto, já que 
Sou uma pessoa que vive em terreno arenoso,
Meu vaso sanguíneo é arenífero, contém
E leva areia e não sangue arterial;
Minha sombra é ariforme e de nada me 
Vale agora, arensar de desespero, soltar a 
Voz como um cisne negro, banido do 
Próprio meio, por não carregar a beleza única;
Chorei, então, no canteiro do jardim, na 
Pequena cavidade que a mulher
Traz entre as pernas; nos círculos pigmentados
Em redor dos bicos dos seios; como se fosse 
Um círculo que rodeia a Lua, ou
Um círculo avermelhado em volta de 
Um ponto inflamatório no corpo; 
Mas não a auréola da cabeça do santo,
O anjo aureolado, que ao areolar não resolve
O problema do mortal, que não é aureolado;
E que sofre o cálculo da densidade
Dos líquidos empregados nos areômetros; e 
Tipo a areometria indefinida e ilógica,
Que o mais areométrico dos adjetivos,
Não conseguirá pôr uma definição concreta;
Devido a fuga do aeropagita, do tribunal
Que não conhece a arte que se ocupa
Do ataque e da defesa das praças de 
Guerra, com o conhecimento da aerotectônica,
Que é esconde rnas moitas da arequeira;
Até a chegada do aresteiro, jurisconsulto
Que alega arestos, a fundar-se casos
Julgados como um eczema, ou tumor
Nos pés das cavalgaduras, um arestim crônico,
Que não tem a revogação em aresto,
Como um caso julgado; uma decisão judicial,
Um acordão entre a carne e o germe que
Mantém o estado arestoso, que têm arestas,
Tal um linho áspero, arestudo e grosseiro;
Que falta a parte da Ética que trata das
Virtudes, a aretologia que nos torna
Hesitantes, embaraçados, atrapalhados e
Inibidos e impedidos de sermos aretológicos; e
Possuirmos um discípulo que não seja ateu,
E sim algo que exprima ideia de aumento,
Fogaréu capaz de seduzir Prometeu,
Povaréu capaz de derrubar um governo,
Fumareu capaz de fazer perder um avião,
Um aréu de povo, de fogo e de fumaça; e o
Que navega sem saber numa arfada,
Singra na arfadura do mar,
Surfa na arfagem, no balanço
Do navio, que arfa; e na ondulação,
A palpitação, como se fosse o
Movimento do nariz e cauda do avião, para a
Manutenção de estabilidade longitudinal, com
O vento arfante da morte, o sopro gélido que arfa
Na respiração ofegante, o último vibrar palpitante.

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