quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Perdoeis-me e esta é uma falha normal; BH, 01801102000; Publicado: BH, 01301202013.

Perdoeis-me e esta é uma falha normal, 
Não é uma falha inversa, com carreamento no  
Patamar, é uma fossa na minha crosta, na
Camada espessa e dura que me recobre 
O corpo; a ferida com a casca, a parte 
Sólida da Terra, a litosfera terrestre e 
Perdoeis-me, sou cru, não estou cozido e 
Não passei ainda por preparação; e nem 
Fui submetido a processos de industrialização
Da intelectualização final; sei que sou cruel,
Sou áspero e aflitivo, chocante e perdão é
Crucial para mim; obtê-lo, decisivo e de
Tal modo cruciforme, a que arrependo-me e
Penso em ser cada vez mais cruciante, para
Que meu ser sofra uma crucificação, que ao
Afligir-me, atormentar-me e aumentar o meu
Cruciar, diminuirá mais o meu remorso; quero
Deixar-me crucificar, pregar-me na cruz, no 
Lugar de Jesus, só que não sou digno, igual
Ao Cristo, para morrer crucificado; melhor é 
Ser torturado, numa delegacia, de bairro de 
Subúrbio, de cidade mais violenta, onde a 
Lei é a chacina; e ninguém entenderá a 
Linguagem da crucifixão, o significado da
Imagem do crucifixo; sei que sou perverso
E é doloroso para mim passar por ser tão
Sanguinolento e que alimenta de crueldade;
Sobrevive da qualidade do que há sangue,
Do cruento ensanguentado, da crueza do
Estado, como no golpe da cascavel; o
Crótalo, antigo instrumento musical de
Gregos e romanos, semelhante às
Castanholas; perdoeis-me pelo crupe,
A laringite diftérica do crupiê, o empregado
Que auxilia o banqueiro nas casas de
Jogo; é a única coisa que sei fazer é
Pedir perdão a todos por tudo e pedir
Perdão para todos; consultar o relógio
De grande precisão, provido de mostrador
Especial e ponteiro que pode ser imobilizado,
No início, ou no término do prazo de duração
Do meu momento de pedido de perdão;
Consultar ao cronometrista, com seu instrumento
Cronométrico a duração que leva o croque, a vara
Com um gancho na extremidade, usada pelos
Barqueiros para facilitar a atracação das embarcações;
Levo um cocorote por minhas falhas, levo um cascudo
Por minhas faltas e não ganho um croquete, bolinho
Frito de carne picada, bacalhau, por voltar atrás e
Tentar recuperação e não participar do jogo, nem
De origem inglesa, o cristão, mas que não professa o
Cristianismo; fui batizado e tudo, porém, a minha
Cristandade é mais material, não chega a ser
Cristalizável e o que é suscetível de transparência,
De cristalizar-se, de transformar-se em cristal, ou
Fixar-se em mim sem experimentar mudança; a
Minha cristalização não passa pela religião, meu
Interior não é assim tão cristalino, não tem a
Estrutura e nem é tão límpido quanto o cristal; e o
Meu terreno não é cristalífero, não contém tanto
Quanto uma cristaleira, móvel de vidro encaixilhado
Como uma vitrina , onde se guardam objetos de
Vidros e de substância mineral, natural, ou
Artificial, que ao passar do estado fluído para o sólido,
Assume formas poliédricas, segundo uma ordem
Definida e regular, muito transparente, que produz
Som de prata quando percutido; rocha de sílica pura,
Ou variedade de quartzo hialino; não, não sou de
Levantar a crista, de preparar-me para atacar, ou
Para desrespeitar; o meu momento culminante é
Quando escrevo: o meu auge é escrever, sinto-me
O ponto mais elevado duma montanha, duma onda,
Do universo, quando acabo de escrever algo que
Nem eu mesmo sei o que a minha única excrescência
Carnuda e erétil na parte superior da minha cabeça,
Como de certos galináceos; é justamente isso que
Escrevo, que estou a acabar de escrever e nem
Vos atreveis a perguntar o que não saberei responder:
Qualquer resposta faz-me crispar, contrair-me como se
Sentisse dores em espasmos e franzir-me o senho,
Como que pensar seria para mim, a coisa mais dolorosa 
Do mundo e gosto de escrever sem crispação, sem
Procurar solução, sem pensar e falar e escrever igual
Ao indivíduo que é bom orador, que tem a boca de ouro
E o pensamento dum crisóstomo; o meu crisol, o meu
Cadinho, o meu conjunto daquilo que serve para 
Demonstrar o caráter que tenho como pessoa, não 
Ficais tristes, não dá para definir, ou imaginar.

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