segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Corajoso em mim é só o cérebro; BH, 090402001; Publicado: BH, 02001202013.

Corajoso em mim é só o cérebro,
Intrépido é só o pensamento, a ação
É outra coisa, transformar com atos, como
O que não tem temor, é que são elas; agir
Como o que não teme é difícil;
Tudo que tenho de destemido em mim,
Guardo bem lá no fundo de minha
Cabeça, pois o difícil é não ter medo, é
Não temer o impossível, é não destemer;
E será uma vergonha quando destelhar-me,
Quando tirar as telhas, igual se tira de uma casa;
Aí a verdade aparecerá e deste que vos
Fala, só sobrará a covardia; destarte,
Escrita só a temeridade, ao ser assim,
Só o temerário; diante disso, é o que
Sei demonstrar, quando destapar, ou tirar
A tampa como de algo que estava tapado,
Aparecerá o fedor do destampatório; o mal
Cheiro da descompostura; o odor da censura
Violenta que inibe, castra, ceifa, mata;
Pode destampar, tirar o tampo do crânio,
Tirar a tampa da cabeça, olhar o cérebro,
É o cérebro de um covarde, é o cérebro
De um medroso; olheis o crânio destampado,
Digais ao que se tirou a tampa, digais
Que é de um despropositado, de um
Desmedido que nunca encontrou o
Raciocínio e a razão; que nunca soube
Se destacar na virtude, enviar e fazer
Partir mensagens de anunciação e fazer
Sobressair as boas novas, iguais as que
Chegam a um destacamento; a um
Corpo de tropa separada de sua unidade,
Perdida na mata virgem, sem fronteira
E sem esperanças; e ainda a ouvir desaforos
De um sargento destabocado, um superior que,
Quando fala não respeita as conveniências,
De tão atrevido que é; e o ânimo fica bem
Dessultório, fica não persistente e com
Aspecto que volteia; e não adiantar o enxugar
O suor; não vai deixar de suar, é o
Dessuar do medo, é o molhar da covardia.


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