sexta-feira, 1 de abril de 2016

O que tira homem do ostracismo e fantasma; BH, 0230102016.

O que tira homem do ostracismo e fantasma
Do limbo, alma do inferno, expele ectoplasma
Materializado: é uma obra-prima com primor
De obra de arte; o que resgata ser, ente,
Entidade das cadeias rochosas, dos fundos 
Dos mares, das profundezas das cavernas
Tenebrosas: é um poema fabuloso, uma 
Poesia generosa, uma ode elevada; o que 
Que tem pena do infeliz poeta acorrentado às
Agruras, algemado às incongruências e ao
Energúmeno destino cruel; dão ao rejeitado
Pão, leite e mel, que regurgita ao amargar da
Boca que, bolsa junto com o fel do estômago; 
Dão ao ressequido água fresca que, evapora 
Ao contato da língua; e não dão à assombração
Uma letra fantástica, uma palavra inabalável,
Uma filosofia pura e aplicada; e dão tudo de 
Natural, a quem quer ser sobrenatural, quer 
Perpetuar-se no aquém, como uma escultura
Aprisionada num bloco de mármore de Carrara
E que ao ser liberada pelo escultor, só falta 
Falar; e oferecem ao pagão, salvação no 
Além, o que o ofende profundamente, como 
Um punhal cravejado cravado no coração; o 
Além está reservado para esqueletos, caveiras,
Ossos e ossadas, como os de outrora, hoje 
Nos revelados; e a gesticular desesperadamente,
O bastardo inglório não quer nem pai e nem
Mãe, nem irmãos; nada quer, pois tudo o que
Querem dar, para quem almeja o universo, o 
Tem o eterno, é nada; o que tira um bardo a 
Clamar no deserto, no isolamento, não é a voz, 
Não é o grito ensurdecedor, o uivo cavernoso: é 
A mensagem carregada de pavor que, moverá 
Grão por grão de areia, a formar o monte de 
Estimação, onde o poeta depositará o coração.

Nenhum comentário:

Postar um comentário