quarta-feira, 23 de abril de 2014

A poesia que não empolga é poesia?; BH, 0901202013.

A poesia que não empolga é poesia?
E a poesia que empolga é poesia?
Ou a poesia perdeu o poder de empolgar?
É a poesia perdeu o poder de empolgar
E não é mais poesia,
Não é mais lírica,
Erudita e clássica;
A poesia perdeu a postura,
Não é mais cultura
E nem é mais literatura;
Não há mais definição para a poesia,
Não há mais estilo e característica;
Agora é poesia sem espécie,
De poema sem espécime;
Passou-se o tempo da evolução,
Da consagração e da sagração;
A poesia não é mais santuário,
A poesia não é mais constatação,
Em meio nenhum;
E o meio acadêmico só faz poesia
Para o meio acadêmico e não aceita
Quem faz poesia e não é do meio acadêmico;
A poesia virou moradora de rua,
Da periferia e do subúrbio,
De aglomerado e de favela;
A poesia virou sem terra,
Sem teto e quilombola sem quilombo,
Índio sem aldeia, sem taba, sem tacape;
A poesia não é mais o sangue que corre nas veias,
O suor que desce doce do rosto,
A lágrima que desce quente do pranto;
A poesia não é mais canto,
Maravilha e alegria;
É o mendigo que não empolga mais
E é expulso das calçadas
E de debaixo das marquises,
A poesia.

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