sexta-feira, 18 de abril de 2014

E vejo-te a chorar e estou aqui; BH,02301102013.

E vejo-te a chorar e estou aqui
E vejo-te a chorar
E não compreendo o teu choro;
E queres dizer algo e não tens voz;
Queres existir e ser alguém;
Mas percebes,
Que ninguém percebe,
Que percebes;
E choras a procurar uma resposta
E os que te cercamos somos estúpidos,
Mais estúpidos do que tu;
Somos mais ignorantes,
Imbecis superados
E sentes-te sozinho,
Chamas a atenção com teus gritos,
Mas o teu mundo é surdo,
O mundo é surdo
E nada te ouve gritar;
E somos passageiros desta agonia,
Tripulantes desta nau dos insensatos,
Portadores desta ânsia que tens,
Desta angústia que forma nossas corcovas;
Procuro uma sabedoria que console o teu pranto
E não a encontro;
Procuro uma percepção
E não sei para onde ela fugiu;
Tuas lágrimas inda umedecem meus dedos,
Nada acontecerá,
Estarei contigo,
Fingirei que te compreendo,
Que te amo;
Fingirei e mentirei,
Para que pares de chorar;
Está tudo bem,
Não há razão para chorar assim,
Como se eu soubesse de alguma coisa
E não sei de nada,
Nem ser feliz sei;
E o teu choro inda afunda-me mais no lodo;
Percebes como é dia,
Está nublado,
Porém,
É dia,
Hoje é sábado,
Amanhã é domingo
E o nosso sofrimento mal começou.

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