terça-feira, 1 de abril de 2014

Meia-noite e estou de olhos fechados; BH, 0401102013.

Meia-noite e estou de olhos fechados,
Sentado à minha mesa de trabalho;
Os abrir agora, para escrever estas frases,
Nem precisaria, poderia tê-las escrito
De olhos fechados, como
Se estivesse a psicografá-las; mas
Não sou médium, sou só um fantasma
De escritor; e sou isto, por não ter
Outra coisa para ser; poderia ter
Sido normal, colado grau, recebido
Diploma, título e stato quo; mas não
Quis e preciso entender, que o que
Encanta-me são as letras; preciso
Ter a ideia fixa, que o que me
Enfeitiça são as palavras; os outros
Podem querer-me doutor, empregado
Num bom emprego, com um salário
Elevado e um certo nível de vida;
E será que estarei satisfeito? só estou
Satisfeito, quando estou aqui, à meia-noite,
Cercado de silêncio, longe de tudo, longe
De todos, como um eremita, como um ermitão,
Um solitário ruminante, a impregnar
De caracteres, páginas de papel; sou
O que estou aqui, a escrever algo,
Que ninguém escreverá por mim;
Sou a satisfação por estar satisfeito,
Com o que escrevo aqui; não me
Importa mais nada, agora o silêncio
É a minha música; longe passam os
Carros a latejarem-me a cabeça; bom
Seria se não passassem, mas passam,
De vez em quando, a trazer-me de
Volta à realidade física.

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