sábado, 5 de abril de 2014

Tudo que não era meu e perdi; BH, 0501202013.

Tudo que não era meu e perdi
E já que a propriedade é um roubo,
Tudo que tinha era roubado
E tudo que tinha não era meu;
E agora que não tenho nada,
Nem peso na consciência,
Passo os dias a garimpar letras no infinito,
A lavrar palavras no universo,
Para encher folhas e mais folhas em manuscritos;
E não pretendo mais ser proprietário de nada,
Já sou dono de muitas peles,
Muitos ossos e pegadas;
Sou dono de muitas ondas mentais,
Energias cerebrais que levam-me em visita
À minha coleção de planetas,
Cometas e quasares e estrelas;
E são bens que são meus
E que não são roubados;
Os chineses vão fazer uma base na lua
E agora?
A lua será chinesa?
Os chineses vão roubar a lua?
Terei que parar de fazer poemas à lua?
E quando fizer uma poesia à lua,
Terei que pedir permissão aos chineses?
Não queria que a lua fosse de ninguém em particular;
Queria que a lua continuasse a ser dos
Poetas bêbados das madrugadas;
E dos enamorados apaixonados,
Dos seresteiros e seus violões
E dos chorões e suas violas;
Será que terei que ir lá na lua
E colocar uma placa?
Esta lua já tem dono.

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