segunda-feira, 21 de abril de 2014

À procura dum espectro e dum fausto e dum fauno; BH, 0901202013.

À procura dum espectro e dum fausto e dum fauno 
A imortalizarem-me; à procura dum fantasma e duma
Assombração duma criança póstuma, ou dum
Espírito qualquer a eternizarem-me; não sei o que
Quero, viver sei que não é e à procura duma
Entidade a fechar-me o corpo e a abrir-me a
Alma; à procura dum ente a levar à posteridade o
Meu ente; não sei o que quero, não sei o que sou
E nem sei aonde vou; à procura dum zumbi a
Guiar-me, não quero voltar às tumbas, quero é
Desprezar a sepultura, ignorar o cemitério; quero
Um médium a psicografar as minhas memórias
Póstumas, as minhas lembranças fúnebres e as
Minhas recordações funestas; à procura duma
Celebridade e duma estrela decadente e dum poeta
Demente, a passar ao papel carbono, em tintas
Negras, as loucuras da minha mente; à procura
Dum pretexto, qualquer enganação serve; à
Procura dum subterfúgio e dum fingimento que não
Sejam notados; fingir de corajoso aos olhos
Abertos, dum fingir que não é covarde às línguas
Ferinas; à procura duma surdina e dum murmúrio e
Dum sussurro e à procura dum marulho, que vão
Confundir os ouvidos moucos ao ouvirem-me chorar.

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