sábado, 19 de abril de 2014

Engraçado; BH, 0250902013.

Engraçado,
Veio esta palavra à minha cabeça
E estou sério,
Sentado numa cadeira,
À cabeceira duma mesa;
E não sei o que de engraçado que enxerguei em algum lugar 
E penso que o certo na vida,
É que nada é tão engraçado;
Tantos são os tormentos,
Tantas são as mazelas,
Que se conseguirmos rir,
É por pura insensatez;
E se conseguirmos achar graça de alguma coisa,
É por pura incoerência,
Falta de ética, ou desequilíbrio mental;
Até gosto de sorrir
E já sou bobo por natureza
E rio por qualquer bobagem,
Gargalho por qualquer besteira;
E penso que até seja um dos comparsas,
Um dos cúmplices,
Um dos aliados da mídia bandida na imbecilização do povo;
Engraçado,
De novo percebo o povo ser feito de palhaço
E fico no âmbar dos meus intestinos,
A pensar que é engraçado o processo de tal idiotização do povo;
Sou cúmplice,
Sou comparsa,
Sou parceiro,
Sou bandido também;
Sócio de bancos,
Telespectador e assistente,
Assinante dos jornalões e das revistonas;
Compactuo com a falsidade,
Com a superfluidade da sociedade;
E finjo não saber da espionagem
E não fico nem um pouco indignado;
E até louvo as ações dos espiões norte-americanos,
Eu que pela ordem,
Deveria dar a todo ianque,
Vinte e quatro horas,
Para abandonar o solo do meu país;
E engraçado,
Não faço nada
E peço até uma coca-cola,
Para misturar com cachaça,
Faço um samba falso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário