terça-feira, 15 de abril de 2014

A nau foi a pique; BH, 0301102013.

A nau foi a pique
E nenhum marinheiro sobreviveu ao naufrágio;
E dos grandes navegadores
E suas grandes descobertas,
Esses marinheiros não fizeram parte;
E o que resta agora no fundo do oceano,
São os escombros da nau que afundou;
E os fantasmas e os espíritos e
As almas dos marinheiros que a acompanharam;
Algumas teimosas pegam caronas nas ondas
E batem nas praias,
Agarram-se aos escolhos,
Confundem-se com o horizonte
E com o azul das águas dos mares;
Outros trabalham e querem trazer
Dos fundos do mar,
O que restou da embarcação;
E fazem rituais,
Cultos aos deuses dos oceanos,
Ofertas às rainhas das águas,
Celebrações e sacrifícios às deusas dos mares;
Mas a nave não vem à tona  
E o que vem deles é irreconhecível,
Nada tem do audacioso marinheiro,
Nada é do ousado navegador;
E quem pousa o olhar em cima dum,
Foge desesperado;
Até as namoradas e as amantes que eles deixaram
Nos antigos portos,
Com a promessa de voltar depois
De resgatar a nau do fundo do mar.

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