quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Corvo de Poe; BH, 01º01202013.

Às vezes penso: -
Nunca mais escrever um poema
E como o Corvo do Poe,
Nunca mais amar uma poesia;
Mas meu coração não se conforma
E daí à algumas horas - lá estou -
Á mesa de trabalho - jogador inveterado de
Baralho - crupiê viciado a profanar o sagrado;
E fumante e beberrão e amante
Infiel a todos os fieis,
Judas vendedor e vendido a ressuscitar elegias,
A cantar odes mortas;
E depois arrependo-me,
É que a emenda sai pior do que esperava
E o soneto que tanto me desesperava um,
Enche-me de frustração;
E nunca mais pego numa pena,
E lá vem o Corvo do Poe,
A pousar nos meus ombros
E o nunca mais ecoa nos meus meandros cerebrais;
E uivo louco lobo,
Quero destruir a madrugada,
Fazer uma arruaça,
Brigar e ir em cana;
E quero quebrar um ônibus,
Afrontar à polícia,
Passar a noite na cadeia;
E deitar no meio duma autoestrada - em suma -
Ser periciado depois num IML;
E o poema que consigo é a causa mortis
E a poesia é o atestado de óbito
E a elegia é a missa fúnebre;
Às vezes não posso beber,
É beber e a sede aumentar
E depois vem o Corvo de Poe,
A voar ao redor de mim:
Nunca mais pego num copo,
Nunca mais viro poeta,
Digo ao Corvo de Poe.

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