segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A cultura é como uma bacharela é como uma mulher; BH, 0260802000.Publicado: BH, 0220802013.

A cultura é como uma bacharela, é como uma mulher 
Que possui o bacharelato, mulher palradora, sabichona;
A cultura é um bacharelado, um palavreado pretensioso
E enfadonho, que espanta e que foge da maioria que 
Não quer suportar uma bacharelice, não quer bacharelar, 
Tomar o grau de bacharel, aprender a falar muito bem e 
Pretensiosamente; a cultura é para quem quer
Um bacharelato, assumir um ar bacharelesco,
Que às vezes torna-se até ridículo aos olhos dos
Ignorantes, a performance adquirida pelo culto;
O culto antes de mais nada anda a pensar,
Anda sempre com um livro nas mãos, ouvido
Sempre atento às obras eruditas e olhos sempre
Voltados às obras-primas e clássicas e às belas artes; e
Guarda em si bo baci, do latim bacea, que é o
Elemento de composição designativo de baga,
O baciforme cacholar onde é guardada toda 
Informação cultural, como a porção de líquido,
Ou outra coisa que enche, ou quase enche
Um bacio, ou uma bacia, ou uma baciada, um 
Bacial de cultura, sabedoria, conhecimento para
Ser despejado igual a um bacili, do latim bacilu,
O bacilo, a varinha de condão, a bacilúria que espalha
A epidemia da procura pela cultura; por Baco,
O deus do vinho, de certa uva preta no bacívoro que 
Se alimenta de bagas cheias do sabor; fora da 
Bacilose, imprópria de qualquer acometimento,
Por bacilos, a bacilúria, a eliminação pela urina
Na bacineta pelo bacinete, parte superior do 
Ureter, dilatada em forma de funil e que recebe
A urina proveniente dos cálices renais; o mesmo
Que pelvis, ou pélvis renais, a peça de armadura,
Que cobria a cabeça à feição de elmo, na qual
Dom Quixote pensava que era o de Mambrini;
A cultura também é ser baconiano, é conhecer
As ideias e sistema do filósofo inglês Bacon,
(1561-1626); é apreciar uma bácora assada, uma
Leitoa à pururuca e não bacorejar; não adivinhar,
Pressentir o destino e pressagiar o futuro, espreitar
Na calada da noite; ficar à espera da morte,
Sentir pressentimento de alguma nova, o bacorejo
Não vale para o sucesso; o palpite é sempre infeliz,
Já dizia Noel Rosa, meu Deus do Céu, só um
Bacorete, um bacorim assim, bem temperado e depois
Devorado, com muita cerveja no jardim; a cultura
É um bacteriologista, uma pessoa que se dedica
À bacteriologia; é um bacteriólogo microbiologista,
Bacteriostático que detém o desenvolvimento de
Bactérias; e deixa fluir pelo rio o bacuçu, a
Canoa de pau, só aumentada por uma borda
Falsa feita de bacubixá, grande árvore bacumixá,
Da família das sapotáceas; e a cultura do
Bacupari, o bacuparizinho, várias plantas silvestres
Num canto próprio para dançar, a bailada das aves
Ao entardecer, o vento bailador dançarino, igual a
Um bailarim, um bailarino, que baila por profissão,
Frequenta muitos bailaricos, beijador bailariqueiro,
Colibri de baileco, que não faz da natureza, um
Baile de pouca importância; igual a bailia, a mulher
Do bailio, comendador, nas antigas ordens militares; e
Antigo magistrado provinciano, que não conhecia
A bailomania, a paixão por bailes, o balé das formigas,
Das abelhas e tanajuras; e o bainhar do bainheiro, o
Fabricante de bainhas de espadas e facões, que servia
Para mamãe corrigir o meu irmão; o baipasse do
Aportuguesamento do inglês by-pass, derivação do
Contorno desbordador do bairão, festa muçulmana que
É eIaborada no final do ramadã, bairrismo,
Do xiita na oração da baitaca, espécie de papagaio
De indivíduo loquaz, bando de maitá, a voz da ave,
Maitaca, o chalrar ao entardecer, o palrar ao
Amanhecer, como a alegria do vaqueiro, ao 
Frequentador de baiúcas, o taberneiro inveterado
Na alegria de ter voltado ao templo pagão dos
Deuses expulsos do Olimpo por sua orgias infinitas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário