domingo, 26 de novembro de 2017

Nasci no lado escuro da lua; BH, 050102000; Publicado: BH, 0290802013.

Nasci no lado escuro da lua,
Onde o sol nunca nasceu
E a vida nunca existiu;
Nasci no outro lado da lua,
Onde o calor nunca existiu
E o frio é o imperador;
E as trevas são infinitas
E é por isso que,
Falo tanto na morte;
Porque sou a morte,
Estou do lado da morte,
Estou na morte
E a morte está em mim;
Pois não pretendo ser,
Surpreendido por ela,
Nem com a minha morte
E nem com a morte,
Dalgum dos meus primatas;
Nasci do lado escuro da lua,
Para aonde vão os espíritos,
Que não merecem o céu
E nem merecem o inferno;
Não merecem a luz
E nem merecem o vácuo:
Só as trevas e a imensidão,
O silêncio do frio das montanhas,
Formadas por gelos milenares,
Que não são brancos como a neve
E sim negros feito petróleo;
Onde a neve não é branca,
É também densa e igual
A uma pálpebra de cadáver rígido;
É por isso que em mim,
É indiferente a existência, ou não
Da inteligência e do saber,
Do conhecimento e da razão;
Em mim é indiferente a vida
E o ato de contemplação,
Da face iluminada da lua.

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