terça-feira, 7 de novembro de 2017

Depois de um guisado de vitela e aves dum artelete bem feito no azeite; BH, 0210702000.

Depois de um guisado de vitela e aves dum artelete bem feito no azeite,
Só mesmo uma arteirice, para ajudar na digestão; porém, quem não 
Tem ação de arteiro, não tem manha de artista e de escritor, não tem 
Astúcia, só faz mesmo é a traquinada, sem efeito, que tento fazer e não
Sei fazer direito; nada tenho de arte, mesmo a do latim arte, que é o 
Elemento de composição e é designativo de arte propriamente dita, o
Artefato produto da indústria do antigo artefacto, pois, mesmo a sofrer 
A aplicação terapêutica das correntes arsonval, alta frequência da 
Arsonvalização, a minha arte não tem salvação, é arsenical, não consigo
Elevar nela nem o tom e nem a voz e assim, ela não é ouvida e é olvida,
É assim uma arte quase muda, surda e cega; todo mundo passa longe 
Do efeito arsenioso trivalente e até o arses, ave africana da família dos 
Dentirrostros que, qualquer designação genérica dos sais derivados do 
Ácido arsênico, o escrito arseniato os faz manter, cada vez mais, mais 
Afastados; não arrumo nada nas letras, me perco na arrumação das 
Palavras e por mais que tente arrunhar, aparar a sola ao redor do meu 
Calçado, quando estou descalço; e abrir ao que me chamam de mente, 
Rasgar o papel que dizem de inteligência, desmoronar todas os 
Preconceitos e tabus que carrego, o meu fel arseniado, meu veneno a 
Envenenar-me e não crio um vernáculo, não sinto-me um arrumador de 
Frases; perco-me na arrumadela de minha cidadela cultural e parece 
Que sou morto, não sinto poesia num arrulhar que contém uma canção de
Ninar e o meu próprio arrular só faz chorar a criança, o menino
Arruivascado que dorme no berço, o arruivado que ao me ouvir cantar
Dezespera-se; e desfeito o tirante ruivo da madrugada, que completa o 
Meu arruinamento, ao me fazer arruinar cada vez mais, que ao chegar à 
Minha ruína, fico até feliz, porque parou aí; sou um artista arruinador,
Destruído por tentar criar arte na literatura, perdido no meio de tantas 
Palavras repetidas, falido de riqueza intelectual, empobrecido de espírito
E de emoção; inflamado só na tentativa , apostemado só na superficialidade,
Pois, nas pústulas não se encontram nada; a não ser a arruinação extrema
Que, não esconde o ruído da ignorância, a vozeria confusa dos insensatos,
O clamor dos desesperados e o tumulto daqueles que morrem de fome
Num último lampejo de arruído triste de estômago vazio; e a água rara hoje
Não é mais encontrada nem no canal de arrúgia, subterrâneo para escoamento
De águas nas minas; me vejo arrugar em frente ao espelho e não aprendo a 
Arte de representar, de amar; sinto toda a minha arrugadura, todo arrugamento
E com tudo arrugado, não consegui o dom da arte; pois, escrevo como um
Arrufinado, escrevo como um que tem modos de rufião, próprio de rufião
E não próprio de poeta, de escritor, de leitor; um mortal que arrufa com 
Facilidade, um mortal arrufadiço que, só faz arruçar, tornar ruça uma 
Situação calma; aqui se faz encanecer e que quando bebe demais é de 
Arruaças, de fechar o tampo e arruaçar me praça pública, pode querer ser 
Chamado de fazedor de arte? se fosse um arruador do bem, que arrua, ou
Cuida do alinhamento das construções, o nome seria de artista, poeta, bardo;
Senti que fiquei arruçado na tentativa e não saí do papel, por me encontrar
Arruelado, guarnecido de arruelas e preso sem poder voar; e o desespero
Deixa-me espantadiço, por não escrever seja lá o que for e o meu espírito
Fica indócil, meu pensamento bravio, igual ao encapelado mar; ajo como 
Um homem mau, um cão raivoso, um macaco desconfiado de Poe, arisco
Arruá que tem a esperança mesmo hipócrita de um tempo qualquer, uma
Época vindoura, chegar a um pensamento, à uma frase útil, à uma palavra
De caminho de amor e de afeto, um momento de arte sublime e perfeita;
E não a indefinição conhecida por todos, a indiferença de gênio tosco e 
Que às vezes me envergonha ao ler e ao permitir o conhecimento alheio.     

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