segunda-feira, 27 de novembro de 2017

É triste constatar que a cocainomania e o vício; BH, 040202001; Publicado: BH, 0250802013.

É triste constatar que a cocainomania e o vício
De tomar cocaína já se espalharam pela humanidade;
Antigamente as pessoas estavam mais para um cocal, mais
Para um coqueiral sombroso, a tomar água, do que 
Passar a maior parte da vida a cheirar cocaína;
No tempo da peça sobre a qual gira o eixo do carro
De boi, espécie de mancal rústico, cocão, poucos eram
Aqueles que se preocupavam-se em drogar-se, as
Ocupações eram com "cocci", do latim coccum, de cochinilho,
Era a coccicultura, mas parece que a maior parte
Das pessoas que conhecemos é de coccicéfalo, acéfalo,
Que tem em lugar da cabeça, uma terminação
Semelhante ao cóccix, só querem saber do que não é
Útil e do que é fútil, são mais perniciosos do que o
Coccídeo, espécime dos Coccídeos, família de homópteros
Muito perniciosos às plantas e da qual é tipo a cochinilha,
Nome dado aos insetos de cor vermelho-viva que vivem sobre 
Cactos de que se alimentam e formam a família dos Coccídeos,
Piolhos-dos-vegetais de que se extrai um corante vermelho;
Tinta escarlate, de uso químico, também chamada cochonilha;
Penso o cheirador de cocaína pior do que a coccídia, espécime
Das Coccídias, protozoários-esporozoários, parasitos das células
Epiteliais; e o mal que ele causa ao organismo é maior
Do que a coccidiose, doença produzida pelo protozoário
Do gênero Coccídia e que se caracteriza por focos nodulosos,
Ou supurados em várias regiões do corpo: ossos, articulações,
Vísceras; coccígeo e o coccigiano, estou mais para um
Coccinelídeo dos Coccinelídeos, de insetos coleópteros, a
Qual pertencem as joaninhas, de cor escarlate granadiano;
Vermelho purpúreo, coccíneo, do que para a cocaína, seus 
Derivados e usuários; não tenho o nariz coceguento,
Muito sensível às cocegas do pó cosquento, não passo aperto
E nem torcimento; não tenho destreza e nem coragem,
Não tenho ânimo, empenho de cocha, para meter o nariz
Em qualquer porcaria; se fosse pelo menos numa cocha
De princesa, numa gamela de ninfa, num cocho de 
Anjo, não me sentirei apertado, nem cerrado e nem
Torcido, quanto mais cochado me sinto, ao cochar, como
Torcer os cabos, ao apertar-me ao corpo de uma ninfeta;
Quanto mais velho sigo, mais intrigante fico, bisbilhoteiro
E cochichador, que cochicha mais do que mulher
Fofoqueira; e quando meus ossos já estiverem alquebrados
No fundo do meu cochicholo, da minha casinha de 
Aposento igual ao de casebre muito apertado, analisarei
Toda cochilada, toda porcaria e ação indecorosa que
Fiz durante toda a vida e garanto que foi mais
Suja do que uma vara de porcos pequenos; e no fim
Da vida, quando estiver a cochinar, a grunhir de
Dor e a fazer grande ruído de vozes, por causa das
Minhas lamentações, espero que todos aqueles que 
Prejudiquei perdoem-me; do cochinchinense, do 
Cochinchinês, do cochinchino, da Conchinchina, Ásia,
Ao do Cochin, Índia e a todo componente da humanidade
Que fiz mal e digo, perdoeis este cochino, este porco
Não cevado, perdoeis este indivíduo imundo e resmungão
Da cóclea, da parte anterior do labirinto, ou orelha
Interna do espiral tapado de caracol enroscado
No parafuso de Arquimedes; hoje já não tenho
Mais espírito, senão ele seria cocleado, não tenho
Mais alma para coclear, não tenho mais o ser
Cocleiforme, virei uma cocleária, uma planta
Medicinal da família das Crucíferas; e o meu
Canto é o canto dos galos, o cocoricó do amanhecer,
O cocorocó do entardecer e o quiquiriqui do anoitecer,
Pois o galo sem saber, sem conhecer a hora, faz a hora, faz toda
Onomatopeia, todo cocoricô, a marcar a ida e a vinda do tempo;
E na minha cocoruta que era o ponto mais elevado
Da coisa que sou, o alto da cabeça da minha vértice
E elevação em forma cônica, virou montes e colinas,
Saliências de terrenos, os de uma coxilha.

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