quarta-feira, 6 de junho de 2012

Antigamente quem ousava ousar; BH, 090901999.

Antigamente quem ousava ousar,
Pensar, descobrir ou filosofar,
Era lançado na fogueira e queimado,
Até assar bem assado;
A inquisição o fazia submeter,
A ação direta do fogo,
E só o ar quente,
Sem misturar com água,
Já descarnava o indivíduo;
Desejar ser diferente era a senha,
Para causar grande calor e discussão,
Sentir a pele tostar e enrugar,
Até exalar o aroma de carne assada;
Antigamente nem o rei,
Tinha o direito assegurado;
Se pensasse contra o pensamento
Da igreja católica, a asseguração
Era ir para as labaredas do fogo cristão;
Por mais que tentasse assegurar,
Tornado firme e garantido poder,
As chamas eram o único lugar seguro
Ao que tentasse demonstrar,
Uma nova ideia,
Um novo pensamento,
Uma nova opinião;
Assegurador era só o inquisidor e
Suas câmaras de tortura e morte,
As máquinas de cortar,
Decepar e decapitar;
O empalamento também era o
Grande trunfo do cristianismo;
Antigamente o único asseguramento
Era que qualquer motivo era motivo
Para se transformar de repente
Num monte de cinzas.

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