segunda-feira, 4 de junho de 2012

Se num dia tivesse nascido hoje; BH, 0170201999.

Se num dia tivesse nascido hoje,
Com a devida firmeza que o homem de verdade
Deve ter e carregar dentro dele no ser,
Esta falta de aplomb não me deixaria
Tremer e tiritar como se estivesse com frio;
Não tenho a segurança que tem a aranha,
Na hora em que pula sobre a mosca;
E nem tenho a desenvoltura do peixe ao nadar,
Da serpente ao saracotear e da tartaruguinha
Recém nascida a correr para as ondas encapeladas
Do mar; e o aprumo das grandes árvores?
Isso aí é que nem posso cogitar;
Tenho em mim é o apocalipse e o que diz
O livro do Novo Testamento da Bíblia,
Que contém as revelações feitas a São João;
E a catástrofe escondida na alma,
A hecatombe protegida pelo espírito;
Sou é um ser apocalíptico, a besta;
A supressão de um som no final de um vocábulo,
Uma apócope apócrifa desconhecida;
Não sou autêntico e nem tenho autor;
Só o medo e a covardia e a falsidade;
A fragilidade da pétala sem flor,
Na hora do vendaval com o seu furor;
Ou o palhaço sem circo que todos só sabem apodar,
Dirigir por apodo e zombaria e gozação,
Ninguém acredita que seja,
Motivo de seriedade e de apoio;
Todos me vêem um ápode sem sapatos,
Meus pés foram cortados e não sei andar,
Por minhas próprias pernas;
Todos querem apoderar-se de mim,
Apossar de meu nome e alcunha;
Deixar-me apodrecer esquecido,
No fundo de um caixão de segunda categoria,
Feito de madeira de caixa de sabão Mossoró.

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