quinta-feira, 7 de junho de 2012

Não tenho nada para voar; BH, 0300801999.

Não tenho nada para voar,
Nem uma aselha de anjo,
Uma pequena asa de joaninha,
Uma asinha qualquer do meu
Tamanho; sou menor do que
O pequeno semicírculo de
Linha, retalho de fazenda, em
Roupa de algodão; não sou o
Botão e nem sou o colchete,
A agulha, o alfinete; não tenho
Onde me enfiar, enfiar a
Cabeça; sair da caverna, sair da
Gruta; o tempo passou, virei
Asfalto, vi asfaltar as pedras,
Revestir os caminhos, as
Estradas de terra. vi o asfáltico
Matar muito lugar de árvore
Boa; vi com variedade de
Betume, que resulta de
Destilação do petróleo bruto,
O asfixiar da terra; a suspensão
Da respiração, a sufocação da
Natureza, com massa asfixiante
E pesada, não deixar a terra
Respirar; e só o asfixiar do
Terreno e produzir o fim do
Carro de boi; sufocar as
Poeiras da estradas, sentir a
Terra sufocada; causar dano
Ao ar próprio; volta de novo
Estradinha antiga, tira o
Asfalto agora; volta o pé
Descalço no paralelepípedo;
Volta o pé descalço a pisar
O pó; tira o asfalto de cima
De mim: quero gemer de dor
Ao pisar com pés descalços
Os seixos do meu chão.

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