sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quando tocar o apito; BH, 0170801999.

Quando tocar o apito final do jogo e a
Morte apitar que chegou a nossa hora,
Não adianta chorar de jeito nenhum;
Quando der o sinal do palpite, e
Olharmos nos olhos do espelho e
Depararmos com o que sobrou de nós,
Começaremos a bufar e a arrancar os
Cabelos, por não reconhecermos no
Mergulho no espelho, os nossos
Espectros; quando esse pequeno
Instrumento de sopro, que produz som
Agudo e vibrante retinir, será grande
Demais para nós e nos ensurdecerá e
Nos esmagará com a potência e o peso
Do seu som; o dispositivo que produz
Semelhante em máquinas e caldeiras e
Fábricas, também romperá nossas
Entranhas, com o mesmo som mortal
Produzido; só a morte faz aplacar o
Ódio e a ira; abrandar a raiva e a
Cólera; serenar a procela e a bravia
Tormenta, que machucam nossas vidas;
Só a morte faz mitigar nosso sofrimento,
Moderar nossa ansiedade extrema e
Suavizar nosso desespero e aliviar nossa
Dor; nos ensina a ceder e a tornar
Plácido nosso semblante; a morte é
Aplacável e nos faz parecer crianças a
Dormir serenamente; nos faz parecer
Pedaços de madeira, que alguém
Experiente e profissional, veio alisar com
Plaina afiada e aplainar nossa face dura
Com cuidado, aplanar nossos relevos
Para nos fazer parecer com cadáveres
De gente de verdade; a morte faz tornar
Plano o nosso destino, faz remover as
Nossas dificuldades, até que os vermes
Venham aplaudir a chegada de nossa
Carne à terra.

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