terça-feira, 4 de julho de 2017

Hipócrita e como fugir desta alcunha e deste hábito de fingido; BH, 0501202000; Publicado: BH, 0150802014.

Hipócrita e como fugir desta alcunha e deste hábito de fingido
E de comportamento de cabistorto? até um cabochão, a pedra 
Preciosa polida, mas não facetada, tem seu dia de broche, de 
Botão, tem seu valor precioso de cabuchão, nome importado 
Do francês cabochon; e ai, aí pergunto: e eu? que esperança
Tenho? que herança vou deixar? perderei a crueldade que, 
Habita meu ser? não, perderei, sim, o meu cabochismo, o 
Sentimento de cabocho, o conformismo que trazia em mim; não 
Serei mais o cabocó, o carneiro da Rua do Pau Velho, a levada, 
Por onde se despeja a água que sai dos cubos das rodas dos
Engenhos de moer cana-de-açúcar; não serei mais o cobocó, ou
O covocó, ou o cavouco e o procurado queijo pela variedade e 
Qualidade; e mandinga não adianta, não acaba om a tal da 
Ruindade humana e o feitiço de patuá, de saquinho com uma 
Oração escrita que, se dependura no pescoço, o bentinho
Caborje, também não faz efeito contra toda a designação maligna, 
Visualizada nos quatro cantos do planeta; é preciso fazer com o mal, o que 
Se faz com o caboje, a parte dos gomos extremos da cana-de-açúcar que,
Se inutiliza, a fim de apressar a germinação dos brotos e nós deveríamos, 
Também, aprender a apressar-nos para salvar o mundo do caborjeiro, o 
Feiticeiro de toda a injustiça, o mandingueiro de toda violência, miséria e 
Pobreza e desgraça espalhadas pelo caborjudo, que fala que tem o corpo 
Fechado; o valentão que não respeita nada no universo, só sabe cabortar
A mulher, cabortear o homem e proceder como caborteiro com as crianças
E mentir em suas andanças pelos caminhos e estradas dos cosmos; e age
Igual ao animal que usa de carboteirice, o indivíduo carboteiro, que faz da 
Cabortice o ganha pão de cada dia; é a prece do velhaco, a reza do 
Manhoso que, vive de expedientes malignos; o cavalo arisco, velhaqueador,
Que, não anda direito e só falta jogar ao chão o montador, com a corrente de 
Cavorteiro, com a ação de cavortice, a cavorteiragem que afasta o que confia 
E dá mais segurança ao que quer cavortear o ingênuo, ao marinheiro de 
Primeira viagem e que pela primeira vez vai cabotar; outra coisa que preciso 
Aprender, além de perder a crueldade, é a de deixar de cabotinagem de vida 
E de costumes de cabotino que, fala de si próprio; e para fugir do desemprego 
Que, ameaça-me há tanto tempo, trabalharei como caboucador, para ganhar 
Salário abaixo do mínimo como cavoucador; e caboucar muito para comprar 
Pão que, o diabo amassou e cavoucar muito mais ainda para comprar o leite
E no fim da vida, no sossego dum cabouco, duma escavação aberta, como se 
Fosse para alicerce de uma construção; abrir a minha cova, o fosso onde 
Depositarei os restos podres dos meus restos mortais e quanto a alma, o 
Espírito, o lugar é o vão em que gira o rodízio do moinho; se tal caboriqueiro
Não mereço o céu, como cavouqueiro não mereço o inferno, mereço só guardar 
A cabralhada, o grupo na encosta da colina, o rebanho de cabras no verde da relva 
E de castigo, a prisão de cabramo; ao teu coração, a peia para amarrar o pé do boi 
A um dos galhos para que não fuja; não precisa gastar dinheiro com o cabresteiro, 
Com o fabricante e vendedor de cabrestos, sou animal já manso e que obedece ao 
Simples cabrestilho e procuro sozinho o cabril, sei o caminho do curral, volto ao 
Aprisco, à mangueira, onde se recolhem as cabras; e ao cabriteiro, aos pastos 
De cria de cabritos e já na velhice de cabritino, sem as qualidades e semelhanças 
De humano, perco o cabritismo na inquietude contínua da agitação  e da disposição 
Para saltar e pular e aguardo pacientemente com o meu cabrum, odor próprio dos
Bodes, da pele curtida caprina; e o prego, o gancho, a cabula onde sou preso para 
O abate: e demonstro não ser um cábula, um mau estudante, um fujão da lição que, 
Não comparece às aulas; e orgulha-se de ser cabulador, o gazeteiro enforcador que,
Tem o defeito da cabulagem, a falta de exemplo na cabulice do cabulador, que mais
Tarde, no fim da vida, no banco dos réus, ai, aí sim, se arrependerá por cabular, por 
Gazetear e enforcar as aulas e o professor fala: é tarde demais igual o corvo fatal.

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