segunda-feira, 17 de julho de 2017

Meu comportamento é cerebral; BH, 02601002000; Publicado: BH, 0120502014.

Meu comportamento é cerebral,
Ajo com toda a constituição
E toda a capacidade do meu cérebro;
Não saio do raio da minha cerebração
E ainda da minha parte póstero-inferior do meu encéfalo;
Também participo com o meu cerebelo
E nada tenho a ver com Cérbero, o cão mitológico,
Guarda da porta do Inferno;
E nem ando com a cabeça em constelação Boreal
E a minha centelha é totalmente natural;
O raio e a faísca luminosa que carrego,
São pouco intensas porém,
Provêm da luz do Sol;
E a minha inspiração não brilha momentaneamente,
Não é intensa de lampejo,
Ela é de centelhar,
De brilhar e de luzir intermitentemente;
É de tremeluzir e de cintilar centenas de vezes por dia,
Dez dezenas de vezes por hora;
É de viver um centenário,
De um pessoa que tem cem anos;
É de viver o espaço de tempo dum século,
Com comemoração de aniversário de algum acontecimento importante;
Durante um segundo,
Cardinalmente a uma centena,
Durante um segundo
E não sofro censura,
Não tenho dentro de mim cargo de censor;
E sou contra exame de obras artísticas e literárias,
Textos de jornais e de revistas,
Autos duma publicação por funcionários do governo;
De órgão oficial que coordena esse exame com crítica,
Repreensão sem coordenação;
E sou contra censurar,
Pode até criticar,
Não repreender,
Praticar como se tudo fosse censurável,
Que merece e é passível do crivo do censor;
Do funcionário publico,
O aspone que aleija obras artísticas e literárias;
Censor não é nem para fazer o censo das populações,
Levantamento geral da população dum país ou região,
A englobar todos os dados a ela relativos;
E para fazer o recenseamentos,
Reconheço que não tenho a resistência do cerne;
A parte interna e mais dura do lenho das árvores;
Reconheço que sou frágil e não sou cerimonioso,
Não sou cheio de cerimônia e nem participo de cerimonial de espécie alguma;
Não conheço o código de formalidades para atos sociais ou religiosos
E vivo fora da etiqueta e fora da forma exterior e do ritual dum culto religioso;
Fujo de solenidades e de formalidades do trato entre pessoas que se conhecem pouco,
Sofro embaraço e acanhamento,
Porém não sou nenhum cenobita,
A pessoa que vive só e afastada da sociedade,
Igual monge ou monja,
Que vivem em convento;
Não sei se é por não ter a beleza da cerejeira,
A árvore frutífera da família das rosáceas e planta das
Mitárceas e seu fruto é a cereja;
Será porque não sou o útil cereal da planta que produz grãos
Farináceos e comestíveis;
E o pelo da cabeça já caiu,
E não é a cerda de teor espesso e resistente de alguns mamíferos;
E então só nos resta pedir que o mau que vem de dentro,
Que vem a roer nossas entranhas,
A roer nossas medulas,
Não venha nos exterminar antes da hora;
E só nos resta ter a esperança de envelhecermos  juntos,
Sadios e com saúde e sãos e lúcidos;
E envelhecemos conosco e com os nossos filhos e os filhos
Dos nossos filhos até o fim natural e sóbrio dos nossos dias; 
Nenhum cerco maligno impedirá a nossa felicidade,
Nenhum ato ou efeito de nos cercar,
Num lugar cercado de assédio militar ou de sítio;
Nada irá cercear a nossa serenidade na velhice e nem
Cortar cerce a nossa tranquilidade;
E em roda restringir o nosso círculo vital com o
Cerceamento que tenta impedir uma velhice livre
E rente com a liberdade que venha acumular a paz;
E não constranger os mais jovens e a sociedade,
Ou qualquer outro e que o dia a dia seja o circundar como o amor;
E o rodear de boas novas e a fuga de tudo que queira nos sitiar,
Nos fechar com cercas e nos mandar para a cercania,
Para os arredores longe da verdade e longe da realidade;
Não quereremos cercaduras e não será conosco o que orna
E o que vive ao contorno de alguma coisa,
Orla e moldura e não será o nosso caso
E seremos o centro da pintura.

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