sábado, 29 de julho de 2017

Na minha vida não tem cloreto e minha carne não possui cloreto; BH, 01001102000; Publicado: BH, 0180102014.

Na minha vida não tem cloreto e minha carne não possui cloreto 
De sódio e os outros sais e esteres do ácido clorídrico; e o cloro,
Elemento químico, metaloide, de símbolo Cl, não poderá fazer a
Minha assepsia e a minha dor é tanta, que a clorofila, a
Substância líquida, aromática e fortemente anestésica, é 
Insuficiente para cloroformizar, para anestesiar-me e impedir 
Que sinta a dor, impedir que o clorofórmio mate de vez a dor
Mórbida em meu ser; e é por isso que não sou fotogênico, 
Não tenho close, não tenho detalhe e o meu conjunto não 
Pode ser fotografado de perto e é por isso que sou só; não
Sou e nem tenho o prefixo que expressa  a ideia de 
Companhia e de simultaneidade; vivo solitário e longe da 
Coabitação, tenho que morar sozinho, morrer sozinho e se 
Alguém quiser coabitar comigo, habitar em comum comigo,
Não deixarei nem dividir o meu caixão e a minha sepultura;
Não sei encher-me de regozijo, não sei ficar repleto de amor,
Resguardar-me com o perdão e fazer do meu arrependimento
Uma cobertura jornalística; só tento me abafar como abafo um
Som; não sei percorrer-me, ultrapassar-me e exceder-me; o dia
Em que ocupar inteiramente meu espaço, farei tudo para me
Volver com sabedoria, vestir-me de inteligência; revestir-me de
Luminosidade natural, tenho que estender-me por cima de mim e
Espalhar-me pelo mundo, pelo planeta, pelo universo; não quero
Mais que venham tapar meu sol, ocultar as estrelas do meu ângulo
De visão, cobrir o azul do meu céu refletido no firmamento e
Proteger só a pele do cobreiro, a dermatose produzida por um
Vírus, pois minha avó já morreu; era ela que rezava-me contra
Cobreiro e contra quebranto,e espinhela caída e agora, não
Conheço ninguém para rezar no lugar dela, ela era a melhor; e
Como não sou de cobre, de metal de elemento de símbolo Cu,
Número atômico 29 e massa atômica 63,54, nada melhor do
Que uma reza de vó, para deixar tudo bem e ainda hoje sinto
Muitas saudades de Dona Ana Felismina dos Santos; ela
Nunca será coadjuvante em minha vida e toda lembrança
Dela é que coadjuva-me, é que ajuda-me a ter do passado
Ainda bons momentos, no meu filme ela nunca terá o papel de
Artista secundária e sempre receberá o Oscar por tudo que
Ainda desempenha no meu filme; a participação dela nunca
Será cobrável, quando mamãe nos surrava, ela sempre aos
Berros pedia: não bate nos meninos, não, pelo amor de Deus;
Nada se pode cobrar dela, era autêntica e incólume e se
Pudesse, com ânimo e coragem, não a teria deixado morrer,
Tristemente, de câncer; só resta-me agora aqui, readquirir e
Recuperar a imagem dela e procurar saber o que devido com
O tempo deixei a memória esquecer e se não chegar a me
Lembrar, vou zangar-me, enfurecer-me, ficar e virar uma cobra,
Fazer as piores referências a meu respeito e dizer cobras e
Lagartos de mim; pois, a determinada atividade que faço
Questão de ser uma pessoa exímia, é na lembrança, é na
Memória, é no pensamento, na recordação e com tudo isso,
Não posso deixar a minha avó morrer dentro de mim, sempre
Carregarei o espírito dela comigo, sempre a acompanharei.

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