sexta-feira, 21 de julho de 2017

Não tenho chapa e nem voto e nem papel; BH, 02502601002000; Publicado: BH, 0280102014.

Não tenho chapa e nem voto e nem papel 
Com o meu nome de candidato a cargo eletivo; 
E título de dívida pública? apólice? nem sei o que
É isso, papel representativo de moeda de curso legal,
Nota? vivo em déficit dela há muito tempo; tenho
Só simples declaração de dívida, escrita, mas
Sem valor legal, documento escrito com efeitos
Legais, cédula de qualquer espécie, não tenho
Nem para comprar café; tenho só os pés na
Cabeça, igual ao molusco que tem tentáculos
Como o polvo, cefalópode; tenho só a vontade
De ser a madeira dessas árvores, de ser um  
Cedro, e a denominação genérica de várias
Árvores das famílias das lauráceas, meliáceas e
Pináceas, de madeira leve e resistente, usadas
Em carpintaria e marcenaria; prontamente 
Reconheço, não ter nada dentro de mim, o tempo
Passa mais do que depressa; e em breve completarei
Cinquenta anos, meio século e o meu alvorecer inda
Se encontra bem distante; de madrugada, então,
Choro de depressão, choro pela falta de razão e por
Verificar, que ainda se espanca crianças, ainda se
Extermina meninos de rua; ainda se tortura e se
Mantém em cárcere privado crianças inocentes; tão
Cedo morrerei feliz, reconheço que não antes da
Ocasião própria, e aprazada, com antecedência; não
Conseguirei absorver as soluções e as respostas,
Que espero sejam captadas por mim; logo de manhã,
Muito cedinho, sabe porque, preciso pôr os pingos
Nos is; pôr o cedilha no c, acedilhar a minha vida,
Enquanto é tempo; corrigir para o certo, para o c
Quando tem cedilha, sinal gráfico que se põe abaixo 
Do c, quando tem o valor de dois ss, antes de a, o, 
Ou u; e com cinquenta anos, já me encontro quase
Podre, estagnado e corrupto igual a um político, 
Obsoleto, cediço, no dito popular sabido de todos e 
Apesar de toda a idade, ainda não aprendi nada, não
Aprendi a ser cedente; a ser o que cede em benefício
Do próximo, o que faz cessão da própria renúncia para
A existência de outrem e com a cedência da própria
Vida; e desde de dentro de mim, do meu ceco, da parte
Inicial e mais larga do meu intestino grosso, onde vem
Abrir o meu intestino delgado, não aproveita-se nada; 
Nem o ceceio e nem a pronúncia do s, e do z, com a 
Ponta da língua colada entre os incisivos; é isso mesmo,
Perde-se tudo, até o cê-cedilha, o mome do ç, até o
Cecear ao material cecal; já pensei em rebuscar por 
Vários lugares à procura de alguma coisa e tenho medo
De não encontrar nada; e ao andar por ceca e Meca e 
Medina, andar por terras distantes, vi confirmar o meu 
Medo, não encontrei nem cebolinha, tipo de cebola
Pequena própria para conserva e condimento, restou-me
A confusão da minha mente; mente sem molho, sem 
Predominância, restou-me a falta que faz a cebolada, o
Prato com grande quantidade de cebolas; o relógio de
Bolso perdido, grande e antigo, o bulbo de qualquer
Planta hortense; a refeição festiva à noite, a ceia lauta
Para comemorar, a ceata na hora de comer, a ceia, o
Cear sem o compromisso da caveira, da cabeça do 
Esqueleto humano enterrada; do mostrar o rosto
Extremamente magro e possuir a fé para romper a 
Caveira de burro, a má sorte, o azar e a mistificação,
Com certo amuleto protetor e para suprir o medo, 
Embriagar-me igual a um boi, antes de seguir o 
Caminho para o abatedouro; é o que tenho a dizer,
Meu cavalo-marinho e aos peixes marítimos de todos
Os hipocâmpidas, nadarei convosco, para que eu 
Seja ouvido e não perca em vão, todo o meu
Cavalo-vapor, toda a unidade de potência equivalente
A 76 kgm/s, ao fazer um simples cavanhaque, ao fazer
A simples barba aparada em ponta na queixo; e não
Na composição de um tema, na decifração de um
Teorema; na defesa de uma tese, na resolução de um
Sistema, equação e apresentar a solução de pelo
Menos um problema chave: a saída da humanidade da
Caverna da social; a fuga da grande cavidade da
Sociedade que arrasta a alma para o interior da terra;
A gruta que engole antes de se formar o ser, a furna
Que mata, a escavação ulcerosa no pulmão, a manter
Cada uma das peças que, a partir da quilha, sustentam,
E formam o arcabouço do navio.

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