segunda-feira, 3 de julho de 2017

Perdoeis-me por não conseguir elevar o nível da minha literatura; BH, 0501202000; Publicado: BH, 0140802014.

Perdoeis-me por não conseguir elevar o nível da minha literatura, 
A escrita que faço é de pensamento de cabungueiro, de pessoa 
Encarregada de tirar os cabungos onde não havia esgotos; é do 
Vaso próprio para fazer excrementos, é de cabungo de pessoa 
Suja que, resgato a minha poética, é de caca, de sujeira, de 
Palavra infantil, a linguagem que dirijo; e cada vez que escrevo,
O ato diminui-me como quem pratica uma cacaborrada, é tanto 
Erro e asneira, tanta borrada e tolice que, no fim, transformo tudo 
Em cacada, numa cacaria só e só sobram os fragmentos dos 
Cacos; faço uma caçada de mim vivo, ou morto, vivo o efeito de 
Caçar-me, exerço em mim o esporte da caça, munido de caçadeira, 
De espingarda e roupa própria para tal e assumo aquela qualidade 
De caçador; e de gata caçadeira, de cadela caçadeira e não 
Encontro-me, não vejo-me apanhado e perseguido e caçado
Por mim; então não posso e nem tenho como completar-me, 
Como endireitar-me e não sou eu que estou em mim, o 
Caçambeiro adulador, o que pega no estribo, o operário que 
Maneja as caçambas, nas terraplanagens, construções de 
Estradas; e já não sirvo para camarada e nem para ser 
Empregado como companheiro de viagem, devido ao caducário 
Do meu ser e ao conjunto relativo de coisas caducas que 
Acompanham meu pensamento; e a minha palavra é como a que diz 
Respeito a bens que deixaram de ter dono, é uma palavra fora de 
Moda, de um ente envelhecido, decadente, onde tudo caduca; e a 
Mente caducante é cheia cadmia, tal o óxido de zinco, que se
Deposita nas chaminés dos fornos e até na palavra antiquada que, 
Nos veio dos semitas, árabes e hebreus e fiquei desvalorizado nela, 
Perdi o tino de experimentado; perdi o senso de ajuizado e a alcunha 
De prudente, não recebo mais com orgulho de cadimo e embaracei-me 
Nos fios do cadilho, nas franjas a que se atavam outras para a tecelagem 
Do tapete cadencioso que, voa cadenciado, em busca da estrela cadente; 
E do sonho do cadeireiro, do fabricante de cadeiras e do transportador
De cadeirinha que, no antigo meio de transporte, transportava sua rainha; 
Seu cade de zimbro e pinho que, com o passar do tempo, o corpo já 
Cadaveroso, o rosto que tem o aspecto de cadáver e ainda vivo, por 
Ironia do destino, é chamado de morto, de defunto, de fígado que o 
Excesso de álcool cadaveriza; e que a mulher influencia ainda mais 
No cadaverizar, na ação e no ato de reduzir a cadaverização na única 
Coisa digna à humanidade; é pouco, se todo o nosso futuro for só esse
Cadavário, que Deus tenha piedade de nós, que retire a nossa catarata 
Dos nossos olhos e impeça a catástrofe nas nossas vidas; inclua os 
Nossos nomes no catálogo dos bem-aventurados e cure nossas 
Inflamações com a cataplasma do seu olhar e engorde o nosso porco 
Com milho de cateto; e faça a nossa catequese na moral, no respeito e 
Nos bons costumes, a afastar-nos do mal católico e a tirar o catarro crônico 
Do nosso peito; tudo com posição de ordem superior, com conformidade e
Sem oposição e que cada um de nós tenhamos a nossa função, como o 
Prefixo grego katá, pelo latim vulgar cata e movimento do alto para baixo; 
E quando Deus me der o dom de escrever igual a caçamunga, uma vespa 
Venenosa e que faz barulho, como significam os elementos da palavra caa,
Vespa; sununga, ou sininga, já a verdadeira grafia é cassununga, ou 
Cassininga; encherei a caçonha de veneno ferino e usarei todo o conteúdo 
Da caçoila vespal para ferroar os injustos, os impuros, os incautos e histriões; 
Encherei de palavras úteis a boca de quem tem mau hálito, para tirar a futilidade
Do cacóstomo e corrigir a cacosmia, a degeneração do sentido do olfato, na 
Qual aprecio os maus odores do cadáver e relato como desagradáveis os 
Odores normais; gosto de mau cheiro da sarjeta e do esgoto, a cascomia que,
Faz preterir o aroma da rosa  e preferir o cheiro mórbido das cavernas, das 
Campas e das catacumbas; preferir o cacólogo de pessoa que se expressa 
Erradamente que, não observa a gramática e ganha milhões devido a outros 
Dons: futebol, pagode, vira milionário cacológico, tem erro de expressão, falta 
Contra as regras da língua, fala com o solecismo da cacologia e ganha milhares 
De cobres ao vender bem caro o dom e a qualidade herdados da natureza.

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