domingo, 2 de julho de 2017

Falo e falo e falo e sou o primeiro; BH, 0130402001; Publicado: BH, 022080201

Falo e falo e falo e sou o primeiro
A viver desenganado, a viver mudo,
Longe de ser desiludido e livre de
Enganos e ilusões; vivo desencantado
E fiz quebrar o ajuste com a firma e
Com a pessoa com que estava engajado;
Fiz-me desengajar-me do tipo militar,
Que reside fora do quartel, desobrigado,
Livre do engajamento e do compromisso;
Falo, falo e falo e sou o primeiro a viver
Desengajado, a desenfurnar e a tirar
Das furnas e dos seus lugares, os mastros
Dos navios fantasmas e dos seres ocultos;
Falo, falo e falo e tu não verás enfurecer-me,
Falo, falo e falo, porém, não sou de arremessar-me
Com ímpeto; e de tomar o freio nos dentes, não
É comigo, se tirar o freio, fico no lugar,
Tenho medo de desenfrear; de viver desconhecido,
De ser arrebatado vivo; já que não tenho freio,
Sou desenfreado, mas a covardia, não
Deixa-me soltar-me; e não dá para tirar objeto
Algum, daquilo que estava enfiado no meu coração;
Se tirar o fio da meada, se desenfiar o meu ser,
Verás esmaecer-me na fímbria;
Sem fazer exercícios e movimentos articulares,
Como se nada servisse para tirar a minha ferrugem;
Como se nada fosse possível,
Para o total desenferrujar do meu desenfado;
Basta de sossego e de divertimento,
Chega de alívio do enfado e não venha desencravar
E despregar as ferraduras, firma o cravo,
Firma o objeto cravado;
Não há mais tempo para desencavar,
Escavar a rocha com as unhas;
E descobrir e ir buscar longe e com esforço,
E fazer surgir do esquecimento da dor;
A dor é para ser esquecida,
Para que nunca seja sentida.

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