domingo, 2 de julho de 2017

Só ando com desenvoltura no pecado; BH, 0130402001; Publicado: BH, 0250802014.

Só ando com desenvoltura no pecado,
Desenvolto na mentira e com desembaraço no vício;
Só sou travesso na falsidade,
Desinibido na maldade e o que não é acanhado
Na enganação;
Pois ao ser desembaraçado do jeito que sou
Para cometer erros e falhas,
Sou o único que sai a perder;
Por mais que tente desentupir,
Desobstruir as vias e as veias;
Desimpedir os nervos e os ossos
E desembaraçar tudo que estava entupido
Em mim, pelo lado contrário, pela via anormal;
Só quem sai a perder sou eu
E junta em mim o se tira do entulho;
E por mais que queira desentulhar-me,
Fazer um desentulho geral, não consigo;
É demais a tulha, é duro o abrir e o desimpedir
E vejo-me ainda mais entulhado;
É demais a quantidade de pecado,
Não há como soltar; é impossível livrar-me,
Destravar-me, não suportarei a vergonha;
E se destravar, não poderá desentortar,
E endireitar para deixar de ser torto;
Não tem mais jeito, morre, é torto e se não 
Desentorpecer, se não tirar o torpor,
Dar um novo movimento e um novo vigor;
Se não excitar  e sair da inércia,
Tipo fazer alguém sair do seu recolhimento;
Se não tirar o bicho da toca,
Não desentocar para fazer
E dizer inconveniências,
Disparatar morro abaixo,
Dissonar o eco no silêncio;
Desafinar a voz no grito,
Sair do tom e da seriedade,
Desentoar com o normal:
Será difícil tirar do esquecimento,
Descobrir e exumar;
Tirar da sepultura, então, só da terra
E com terror, desenterrar, causará horror;
Terrificará o desenterrado, tirado com
Força, com bruteza e ignorância e no
Meio dos vivos, faz-se de desentendido,
Do que não entende de nada;
E passa a fingir e a não entender e ao 
Desentender ao perceber que está vivo.

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