segunda-feira, 3 de julho de 2017

Antigamente e de uma levada e de uma sentada; BH, 060502017.

Antigamente e de uma levada e de uma sentada
E escrevia-se a noite, a madrugadas inteiras,
Sem respirar; modernamente, envelhecidamente
Sexagenário, para desenhar uma letra, para 
Esboçar uma palavra, um alquebrado, para 
Formatar um texto, nem com todas as forças
Estranhas a moverem a mão; e de asilo em asilo,
De albergue em albergue, de mosteiro em 
Mosteiro, um velho rebelde, a ser expulso de 
Casas de idosos e contra as expectativas 
Dos expectadores e a desviar a atenção dos 
Telespectadores; e o público apupa-o a querer
Os resultados que, não pode entregar; vexatório,
Refugia-se com receio de linchamento, achincalhe
Escracho e esculhambação dos que gostam de 
Cobrar e não gostam de ser cobrados, são os 
Maus pagadores das dívidas impagáveis; e tem
Contra si a humanidade inteira, toda vez que,
Apresenta as linhas tortas, sem humanidades,
Sem humanismos, sem raças humanas e sem 
Seres humanos; pois, uma coisa que velho poeta
Tem contra si é a humanidade inteira, é um 
Levante geral, é um paredão de fuzilamento
Total, um motim sem fim, malgrado, pobre, 
A enveredar-se por essas sendas, já sem 
Sangue nas veias, saliva abundante na boca,
Coriza contínua nas narinas, suor na pele,
Calor no corpo e só com fraturas nos ossos
De esqueleto de caveira abominável. 

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