sexta-feira, 11 de maio de 2018

Cabelo doirado, RJ, 1980; Publicado: BH, 030302012.

Nos emaranhados dos teus cabelos,
Glorifiquei-me;
No altar do teu peito,
Sacrifiquei-me;
Pela luz dos teus olhos,
Guiei-me;
Pela força do teu magnetismo,
Estruturei-me;
No teu corpo e no teu regaço,
Afoguei-me;
Caminhei por tua trilha,
Cantei tua canção,
Ouvi a tua voz,
Auscultei teu coração;
Senti teu sofrimento,
Entendi teu pensamento,
Brindei à tua alegria;
Causei tua felicidade,
Ao causar a minha felicidade,
No calor do teu amor;
E no calor do teu amor,
Perdi o meu calor,
Esqueci a minha dor,
Deixei de ser sofredor;
Choquei-me com teu êxtase,
Esqueci do teu terror;
Alimentei com teu odor,
A fome da própria flor;
Ergui a tua estátua
No centro da minha mão;
Mudei teu metabolismo,
Desorganizei teu organismo,
Transformei teu ventre,
Povoei teu útero;
No embalar do teu sono,
Espantei meu pesadelo
E na paz do teu sonho,
Brinquei com teu cabelo;
Desenhei-te
Na imagem do espelho;
Acordei enternecido,
Envolvido por teus braços;
Sussurrei em teu ouvido,
Ao aproveitar o teu abraço;
Beijei tua boca,
Senti teu primeiro hálito;
Levantei, abri a janela,
O sol entrou gloriosamente,
A quebrar de ousadia,
Na sala de manhã bela,
Para acordar ao teu lado,
Amarrado no emaranhado
Dos cachos de teu cabelo doirado.

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